O presidente do CDS-PP defendeu hoje que o PSD não se desviou "um milímetro" para se aproximar do Chega na solução governativa nos Açores, acusando aquele partido de ter "simulado" um entendimento com os sociais-democratas.

“O CDS celebrou um acordo para a formação de governo apenas com o PSD e com o PPM, isto que fique muito claro. Coube ao PSD conseguir viabilizar parlamentarmente o governo de aliança democrática e, como vimos, isso aconteceu através de uma manobra escapatória que o Chega encontrou para identificar nos programas do PSD medidas com as quais concorda”, afirmou o líder centrista.

O líder do CDS-PP considerou “evidente que o PSD não se deslocou um milímetro para se aproximar do Chega", rejeitando as alegações de que o PSD terá feito um acordo com o Chega para garantir o apoio parlamentar deste partido à solução de governo de direita.

Na sua ótica, o Chega “não sabia o que haveria de fazer”, pois ficou “encurralado e numa verdadeira encruzilhada”, e “a solução rebuscada que encontrou foi dizer” que “há coisas no programa do PSD com as quais o Chega está de acordo” como justificação para viabilizar o governo regional de direita.

Foi forjado uma simulação de entendimento, assim propagandeado pelo Chega, em matérias que o PSD já estava absolutamente de acordo”, frisou, recusando que o presidente do PSD, Rui Rio, “que até aqui era um centrista, muito mais colado à esquerda do que à direita" se tenha transformado "num perigoso fascista”.

Para Rodrigues dos Santos, o Chega "está de fora, não pertence" à solução de governo que é, considerou "uma verdadeira aliança democrática".

O presidente do CDS questionou ainda se “deve rejeitar-se um voto de apoio pela sua origem” e salientou que “o Chega está no parlamento nos Açores e na República por votos dos portugueses, e foi um partido que foi viabilizado pelo Tribunal Constitucional” e também vota favoravelmente alguns diplomas da esquerda.

Qualquer voto, independentemente da sua origem, do partido que for, que viabilize as propostas do CDS, nós estamos disponíveis para receber. Agora, o que não pode estar em causa é a violação de princípios próprios dos partidos em função de um populismo, de uma demagogia que não deve ter lugar no nosso sistema político”, advogou.

O presidente do CDS defendeu igualmente que o partido “é insubstituível em qualquer aliança” que “seja feita à direita, e está cada vez mais forte e empenhado em construir com o PSD uma solução alternativa capaz de governar Portugal e que tire o PS do poder”.

Sobre a redução de deputados, uma das medidas que tanto Chega como PSD defendem, o centrista afirmou que essa proposta “não consta” do programa eleitoral do CDS e também “não consta das preocupações” dos centristas.

Durante a conferência de imprensa, Francisco Rodrigues dos Santos foi questionado também sobre um abaixo-assinado subscrito por mais de 50 personalidades da direita (entre os quais Adolfo Mesquita Nunes e Ana Rita Bessa, do CDS), que defende que “não se responde à deriva com a amálgama” e que as “direitas democráticas não têm terreno comum com os iliberalismos”.

O que eu vejo na opinião publicada é que há muita gente à direita que prefere os salões do Bairro Alto e do Príncipe Real em vez de querer corresponder a uma vocação de mudança de uma direita real que existe no nosso país”, respondeu.

O líder do CDS considerou que estas personalidades se “escandalizam muito com medidas que são absolutamente inócuas e que já constavam do programa do PSD, e escandalizam-se muito pouco com ideias completamente estapafúrdias e aberrantes que são ditas por convivas com os quais de relacionam muito bem, que pertencem ao espetro da esquerda, e que idolatram ditadores, fazem a apologia de regimes totalitários e celebram revoluções que só trouxeram a misérias, a pobreza e as violações dos direitos humanos em toda a parte do mundo em que tiveram lugar”.

Rodrigues dos Santos acusou ainda “uma certa comunicação social” de “levar o Chega do colo” e de estar “a criar o fenómeno” do partido liderado por André Ventura.

/ DA