Num debate marcado pela economia, o CDS-PP acabou por lançar no hemiciclo uma das poucas questões que escaparam ao tema dominante. Paulo Portas disse que os populares estão preparados para entrar no debate sobre o acompanhamento de pessoas em estado terminal, mas criticou o PS por «mergulhar» na discussão da eutanásia, como se não houvesse outras opções.

O líder dos centristas entrou nesta questão garantindo que o seu partido é «contra o sofrimento inútil em doenças terminais» - «Creio de todos somos», acrescentou ¿ para depois se mostrar disponível para discutir «o chamado testamento vital» - um documento, que existe em alguns países e prevê que uma pessoa lúcida possa determinar um conjunto de directrizes sobre eventuais tratamentos em situação terminal, caso de não possa expressar a sua vontade.

Relativamente à abertura da discussão sobre a eutanásia, Paulo Portas demonstrou a sua reprovação. «Nós, CDS, defendemos o investimento do país em cuidados paliativos», salientou, criticando depois os parcos recursos existentes nesta área da saúde. «O país tem apenas 17 equipas certificadas de cuidados paliativos, que pouco excedem as 100 camas, quando precisaria de ter cerca de 1000».

Para Portas esta é uma «forma civilizada de reduzir a dor» e por isso colocou uma estão ao primeiro-ministro: «Porque é que um país que tem imenso a fazer nos cuidados paliativos, há-de, aparentemente, por via do Partido Socialista, mergulhar na discussão da eutanásia, como se fosse a única alternativa?».

A questão, porém, ficou sem resposta, numa altura em que José Sócrates já tinha esgotado o seu tempo no debate. No próximo fim-de-semana, no congresso do PS, o tema deverá voltar a ser discutido, já que consta de uma das moções apresentadas.