O CDS-PP considerou hoje positiva a solução para a entrada do Estado na TAP ter sido feita “por acordo”, quer saber mais pormenores do acordado e defende que deve deixar de ser acionista “logo que possível”.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, o deputado centrista João Gonçalves Pereira afirmou que o “acordo é certamente melhor do que o Estado nacionalizar toda a empresa”, mas exigiu mais elementos sobre esse acordo.

Gonçalves Pereira acredita que o Governo dará à Assembleia da República mais pormenores sobre o que foi acordado na quinta-feira, o plano estratégico para a empresa, e alertou para algumas dúvidas ou incógnitas, como a “posição da Comissão Europeia sobre o processo”.

Além do mais, é preciso saber qual o papel que o Estado pode ter na definição de rota, para as regiões autónomas e países com ligações a Portugal.

Lembrando que foi um Governo PSD/CDS a privatizar a TAP, o deputado centrista afirmou: “Assim que possível, assim que houver condições, o Estado deve sair da empresa.”

O Governo anunciou na quinta-feira à noite que chegou a acordo com os acionistas privados da TAP, passando a deter 72,5% do capital da companhia aérea, por 55 milhões de euros.

CDS critica processo "turbulento" e quer conhecer plano de viabilização 

O presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, criticou esta sexta-feora o Governo pela forma “turbulenta” como conduziu o processo da TAP e por ainda não ter dado a conhecer o plano de viabilização da empresa.

Em Viana do Castelo, à margem de uma visita aos estaleiros da West Sea, Francisco Rodrigues dos Santos disse ainda esperar que seja “transitória” a assunção do comando da TAP por parte do Estado.

Este imbróglio que foi gerado é o resultado da festa da reversão operada pelo Governo socialista em 2015, que observou um processo muito turbulento, aos gritos na praça pública, com a empresa a perder valor económico e a degradar-se, fruto desta instabilidade política, por culpa do ministro das Infraestruturas, com contradições entre ele e o primeiro-ministro. E, pasme-se, chegámos a este ponto sem que o país soubesse qual é o acordo para a revitalização da companhia aérea”, afirmou.

Para o líder do CDS, é necessário conhecer quais as cláusulas do acordo, para saber até que ponto é assegurado o interesse público e se a companhia irá servir “o país no seu conjunto”, sem “discriminações injustificadas de muitas regiões”.

Rodrigues dos Santos sublinha que o plano de recuperação deve assegurar que a TAP se assuma como “um fator decisivo” para a recuperação económica do país.

Aguardaremos as cenas do próximo episódio, embora os protagonistas aqui não nos deixem antever nada que seja indutor de um espírito otimista”, disse ainda.

O presidente do CDS disse ainda que o partido não vê com bons olhos a nacionalização da Efacec e disse esperar que o Estado venda a empresa em breve sem prejuízo para os contribuintes.

O CDS não vê com bons olhos esta nacionalização, não quer saudosismos dos tempos do PREC, e tem até alguma esperança, no meio deste cenário dramático, que isto só tenha acontecido se houver já programada uma venda futura, breve, a curto prazo, que garanta por parte do Estado que não há prejuízo nenhum para os contribuintes”, referiu.

Para o líder do CDS, “o Estado português não deve ser proprietário de nenhuma empresa tecnológica informática, ainda por cima quando não tem nela nenhum interesse económico e quando a mesma apresenta resultados problemáticos há 10 anos consecutivos”.

Sublinhou que a Efacec não é “uma empresa sustentável no futuro, baseada em tecnologia de ponta que seja competitiva”, apresentando-se “absolutamente obsoleta” nas várias disciplinas, à exceção dos carregadores.

Para Rodrigues dos Santos, “empresas a passar dificuldades em Portugal há aos milhares”.

Tem de haver uma estratégia uniformizada de apoio ao tecido empresarial, que não passa por nacionalizações”, disse ainda.

/ BC