O Conselho Nacional do CDS-PP aprovou o adiamento, para depois das eleições legislativas, do congresso eletivo do partido, que deveria realizar-se a 27 e 28 de novembro, em Lamego.

O cancelamento do congresso por proposta do presidente do partido foi aprovado com 144 votos a favor (57,8%), 101 contra (40,6%) e quatro abstenções (1,6%), disseram à Lusa várias fontes que assistiram à reunião.

O 29.º Congresso do CDS-PP estava agendado para 27 e 28 de novembro, em Lamego, distrito de Viseu. São candidatos à liderança do partido o atual presidente, Francisco Rodrigues dos Santos, e o eurodeputado Nuno Melo.

O congresso tinha sido marcado em 10 de outubro, por decisão do Conselho Nacional, e foi agora adiado na sequência da crise política e da possível marcação de eleições legislativas antecipadas.

O Conselho Nacional do CDS – órgão máximo do partido entre congressos – esteve reunido (por videoconferência e à ‘porta fechada’) desde cerca das 19:00 até perto das 04:00. Esta reunião extraordinária e marcada de urgência teve como ponto principal decidir sobre o adiamento da reunião magna dos centristas.

No seu discurso no encerramento, o presidente do partido considerou que “existe uma maioria expressiva, simpática, generosa, que entendeu a urgência do momento que o país atravessa” e que o CDS não deve estar concentrado em “guerra internas”, mas focado na preparação das eleições legislativas e em “afirmar-se como alternativa” de Governo.

De acordo com os relatos feitos à Lusa por alguns conselheiros, Francisco Rodrigues dos Santos afirmou que o resultado do Conselho Nacional representa “um mandato claro a esta direção para começar a preparar as próximas legislativas” e referiu que transmitirá ao Presidente da República, na audiência desta tarde, que o CDS “está preparado” para ir a eleições.

O líder espera também que o partido saiba “viver em paz, em ambiente de concórdia, união e coesão” daqui em diante.

Em declarações aos jornalistas na sede do partido, na sexta-feira à noite, o presidente do CDS-PP defendeu que as eleições legislativas devem realizar-se “o quanto antes” em caso de dissolução da Assembleia da República, defendendo que “o país não pode esperar”.

Nessa altura, Francisco Rodrigues dos Santos considerou que a sua direção está legitimada para disputar as eleições legislativas, uma vez que o mandato termina em janeiro.

O líder defendeu o adiamento do congresso para depois das eleições legislativa alegando que “este não é o tempo adequado para o debate interno”, uma vez que o partido deve estar concentrado na situação do país.

O presidente do CDS-PP alertou também que, se as eleições legislativas se realizarem em janeiro, as listas de candidatos a deputados teriam de ser entregues em dezembro, o que "obriga o CDS-PP, na melhor das hipóteses, na semana seguinte ao congresso a ter já uma estratégia eleitoral definida, um programa construído e listas fechadas", o que na sua ótica é "um delírio".

Em declarações aos jornalistas na quinta-feira à noite, à margem da reunião da Comissão Política Nacional, Nuno Melo questionou a antecedência com que foi convocada a reunião do Conselho Nacional, de uma dia para o outro, defendendo que teria de ser “convocado com pelo menos 48 horas de antecedência”, e anunciou que iria impugnar a convocação da reunião.

Na sexta-feira, o Conselho Nacional de Jurisdição deu razão ao candidato à liderança do CDS, considerando “nula e sem qualquer efeito a convocatória do Conselho Nacional”, segundo um documento a que a Lusa teve acesso.

Depois de conhecida esta decisão, o presidente do Conselho Nacional do partido, Filipe Anacoreta Correia admitiu a realização de uma nova reunião do órgão máximo do partido entre congressos para ratificar as decisões tomadas nesta reunião e afastar dúvidas quanto à legalidade.

/ AG