A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, afirmou esperar “um futuro escrito em conjunto” com o PSD, que elegeu no sábado o novo presidente, Rui Rio, para ser alternativa ao “governo das esquerdas unidas”.

Da nossa parte olhamos para o PSD sempre como um partido com quem podemos ter boas relações, com quem temos uma história já escrita em conjunto e podemos ter certamente um futuro escrito em conjunto”, declarou.

Em declarações aos jornalistas, esta segunda-feira à margem de uma reunião com a direção da Ordem dos Médicos, em Lisboa, a presidente do CDS-PP disse que “não muda a estratégia” do partido e que está empenhada em “contribuir” para “uma alternativa séria ao governo das esquerdas unidas”.

Neste momento o que sabemos é que para termos uma alternativa séria ao governo das esquerdas unidas temos de ter uma maioria de 116 deputados no conjunto dos partidos CDS e PSD. Da parte do CDS estamos empenhados em contribuir o máximo para este número”, sublinhou.

Questionada sobre o posicionamento do novo líder do PSD face ao PS, Assunção Cristas disse que “essa não é uma preocupação do CDS”, reiterando a preocupação dos democratas-cristãos é “trabalhar intensamente” para “ter o maior número possível de deputados” nas próximas eleições legislativas.

O que nós precisamos é de correr para ter uma maioria de 116 deputados no parlamento para podermos governar”, reforçou.

"CDS não está acantonado"

Questionada sobre as declarações da ex-líder do PSD Manuela Ferreira Leite, que hoje admitiu, em entrevista à TSF, que os sociais-democratas podem “vender a alma ao diabo” para afastar a esquerda do poder, Assunção Cristas rejeitou uma leitura que signifique o CDS “está acantonado” e sustentou que “cada partido tem a sua estratégia”.

O CDS não está acantonado, o CDS está a crescer, o CDS está a dar mostrar da sua vivacidade, queremos falar mais para todos os portugueses e a nossa estratégia é claríssima, é isso que queremos dizer aos portugueses”, disse.

O ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio foi eleito, no sábado à noite, presidente do PSD com 54,37% dos votos, com uma diferença de cerca de 10 pontos percentuais para Pedro Santana Lopes.

No seu discurso de vitória, Rui Rio afirmou que seguirá o legado deixado por Francisco Sá Carneiro e avisou que o atual Governo terá com a nova liderança do PSD uma "oposição firme e atenta", mas "não demagógica ou populista".

Para Assunção Cristas, o CDS-PP tem feito uma “oposição muito firme, muito acutilante, muito construtiva e sempre positiva”.

Questionada sobre se espera uma melhor relação com o PSD de Rui Rio do que com o PSD de Passos Coelho, Assunção Cristas ressalvou que “sempre teve uma muito boa relação” com o anterior líder do PSD.

Contudo, insistiu, “o mais importante é o bom relacionamento entre dois partidos que se conhecem e são amigos”.

No caso do CDS, sentimos que estamos aqui para fazer oposição e construir uma alternativa ao PS e às esquerdas unidas. É esse o meu foco e é aí que está o meu adversário”, disse.