O presidente do CDS-PP afirmou, esta segunda-feira, que a sua vitória no Conselho Nacional "foi suficiente" e que a sua liderança foi minada desde o início por uma parte do partido.

Na qualidade de líder do CDS não quero perder um segundo do meu tempo com querelas ou fraturas internas", começou por afirmar Chicão.

Após uma vitória tímida no Conselho Nacional de sábado, o presidente do CDS-PP foi o convidado de Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 de segunda-feira, na TVI.

A vitória é suficiente. Confirmou a de há um ano atrás", reafirmou Rodrigues dos Santos.

Chicão confessou ter sentido, ao longo deste último ano, que a sua vitória "foi difícil de dirigir para algumas franjas dentro do CDS" e quer, "de uma vez por todas", sentir-se legitimado para cumprir o mandato até ao final.

Questionado se terá havido uma "lavagem de roupa suja" dentro do CDS, em vez do partido estar preocupado com os problemas do país, Francisco Rodrigues dos Santos responde com outra pergunta: "Fui eu que provoquei este incidente político dentro do CDS?"

Este incidente foi provocado para criar uma rotura na liderança do partido e a substituição do presidente do CDS", afirmou, acrescentando que não defende "que a democracia interna do CDS deva ser suspensa. Aliás, fui eu que convoquei o Conselho Nacional"

O atual líder do partido centrista colocou também a hipótese de  ter havido alguém, dentro do partido, que transmitiu à comunicação social que a sua liderança "não estaria para durar". 

Em Portugal existe uma desconfiança crónica com os mais jovens", frisou Chicão, destacando que sempre teve "um discurso intergeracional" e que "trouxe um partido que quis renovar protagonistas".

Ainda sobre o Conselho Nacional, Francisco Rodrigues dos Santos acusou o antigo vice-presidente do CDS Adolfo Mesquita Nunes de ter provocado um "incidente político" para "criar uma rutura na liderança do partido e a substituição do presidente do CDS".

Na sua opinião, os críticos quiseram também, "através de um expediente estatutário", criar "esta clivagem do partido e desviar as atenções do essencial" para a sociedade, como o combate à pandemia.

Se o ambiente público está intoxicado sempre com querelas, com informações que dão nota de que o CDS está dividido, e com fontes em ‘off’ dentro do próprio partido que querem desqualificar a liderança, é óbvio que não vamos conseguir singrar lá fora porque o partido não consegue arrumar a casa cá dentro", criticou.

Francisco Rodrigues dos Santos recusou ainda que o CDS esteja a morrer, porque "tem alma" e 47 anos de história, mas indicou que não ignora "o descontentamento que existe na sociedade" e defendeu que esse descontentamento é combatido que "soluções razoáveis", que sejam alternativa a "partidos radicais e extremistas" com soluções "tresloucadas e abjetas".

"Estou circunstancialmente na política"

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, afirmou que se, entender que os resultados eleitorais "não são satisfatórios", será "o primeiro" a tomar a iniciativa de deixar a liderança do partido.

Se eu entender, a dada altura, que os resultados que tive não são satisfatórios e não tenho mais nada a oferecer ao meu país, eu serei o primeiro a ir-me embora", disse o líder centrista, em entrevista na TVI.

Questionado por Miguel Sousa Tavares se a sua sobrevivência como presidente do partido vai depender do resultado das eleições autárquicas que deverão ser agendadas para outubro, Rodrigues dos Santos (que disse no sábado que não se oporá a um congresso após esse sufrágio se for essa a vontade dos militantes) afirmou que não está "dependente da política", mas sim da sua "consciência e valores", e argumentou que "qualquer líder de um partido político em Portugal está sempre dependente da avaliação dos resultados eleitorais".

O partido democrata cristão tem estado envolto numa enorme crise política, com sucessivas demissões, depois de Adolfo Mesquita Nunes, principal adversário de Francisco Rodrigues do Santos, ter pedido eleições antecipadas

A direção do CDS-PP, liderada por Francisco Rodrigues dos Santos, já perdeu 15 membros desde que foi eleita em congresso, há um ano.

95% das pessoas que demitiram agora participavam num outro grupo do partido", explicou, adiantando que ainda há muitos outros membros que acreditam no projeto para o partido.

Rafaela Laja