O CDS-PP quer ouvir o ministro das Finanças sobre o Novo Banco no parlamento “com a máxima urgência”, se possível na próxima semana, sublinhando que uma injeção de capital público “é o oposto” do que foi prometido pelo Governo.

"O CDS considera preocupantes e encara até com alguma estupefação estas notícias, porque contrariam aquilo que, nomeadamente por perguntas feitas por deputados do CDS, o Governo e o ministro das Finanças sempre disseram”, afirmou o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, em declarações à Lusa.

Esta necessidade e eventual injeção de capital público foi aquilo que o ministro das Finanças disse que não iria acontecer por força do mecanismo criado e que então mereceu a nossa crítica”, acrescentou.

Por essa razão, o CDS-PP considera que “é inevitável, urgente, mais do que exigível” que o ministro das Finanças, Mário Centeno, dê uma explicação “ao país e ao parlamento sobre estes novos factos”.

Uma vez que o PSD já solicitou, na sexta-feira, a audição parlamentar de Mário Centeno sobre este tema, os democratas-cristãos acompanharão o pedido dos sociais-democratas, mas pedem rapidez.

“Entendemos que o senhor ministro deve ir ao parlamento com a máxima urgência, diria mesmo durante a próxima semana, explicar os contornos concretos das notícias que nos causaram estupefação, precisamente porque são o oposto do que o ministro sempre disse”, frisou Nuno Magalhães.

O presidente da bancada centrista disse “nada ter a opor” à auditoria que o Governo já anunciou à recapitalização do Novo Banco, mas separou este processo das “explicações urgentes” que considera serem necessárias.

BE responsabiliza PSD, CDS e PS 

O Bloco de Esquerda também falou este sábado sobre o Novo Banco, responsabilizando PSD, CDS e PS pela situação da instituição financeira.

O que aconteceu com o BES e o Novo Banco é uma lição do que não deve ser feito no país e tem responsabilidade no PSD, CDS e PS", afirmou Catarina Martins.

A coordenadora do BE falava aos jornalistas, em Amarante, onde este sábado se deslocou para tomar uma posição política sobre a barragem de Fridão, um aproveitamento hidroelétrico, no rio Tâmega, ao qual o BE se opõe.

Neste momento, não sei como é possível o mesmo Governo que diz que não há dinheiro para reivindicações laborais que, quando olhamos para a dimensão do novo Banco, são, de facto, tão modestas, continuar sem compreender que é preciso uma alteração profunda da forma como este país lida com o sistema financeiro".

A dirigente reafirmou que PSD e CDS "mentiram ao país" quando disseram que a resolução do BES não ia ter custos para o erário publico, "mas já vai em mais de cinco mil milhões de euros".

Considerou ainda que o Governo do PS mentiu "quando garantiu que a venda do Novo Banco era a melhor forma de travar o gasto de dinheiro público com o ex-BES".

"Sempre dissemos: se nós pagamos, mais vale sermos donos. O banco devia ter ficado para o Estado, porque nós continuamos a pagar um banco que, de facto, foi entregue a acionistas privados, foi entregue a uma multinacional", acentuou, concluindo: "Estamos a pagar os lucros dos outros. Nacionalizámos prejuízos e continuamos a pagar esses prejuízos".

O Novo Banco vai pedir uma injeção de capital de 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

No ano passado, para fazer face a perdas de 2017, o Novo Banco já tinha recebido uma injeção de capital de 792 milhões de euros do Fundo de Resolução, pelo que, a concretizar-se o valor pedido agora, as injeções públicas ficarão em mais de 1.900 milhões de euros.

Catarina Martins recordou este sábado em Amarante que o BE defendeu que Estado devia ter nomeado um administrador "para poder controlar o que estava a acontecer".

O Estado não nomeou nenhum administrador e agora vem Mário Centeno [ministro das Finanças] dizer que quer uma auditoria. É trancas à porta depois da casa roubada, não tem nenhum sentido", rematou.

PCP acusa Governo de "encher a barriga ao grande capital"

Jerónimo de Sousa acusou, por sua vez,na noite deste sábado, o Governo de "encher a barriga ao grande capital", face à nova injeção de dinheiro no Novo Banco, reafirmando a necessidade de se reverter a privatização.

Quando os trabalhadores reivindicam o aumento do salário mínimo nacional, quando professores, enfermeiros, forças de segurança, profissionais de justiça procuram conseguir as suas legítimas reivindicações, não há dinheiro. Então, que expliquem como é que há esta facilidade de encontrar mais 1,14 mil milhões de euros para encher a barriga ao grande capital".

Num jantar da CDU, no concelho da Marinha Grande, vincou que o povo "pode, na sua maioria, não perceber nada de economia, mas pode perceber que algo está errado" no processo do Novo Banco, vincou Jerónimo de Sousa, referindo-se ao anúncio, na sexta-feira, de que este banco ia pedir uma injeção de capital de 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

É o resultado de um acordo de venda que permite ao fundo americano obter 3,9 mil milhões de euros do Estado português. Só a reversão da privatização do Novo Banco pode impedir a entrega de cerca de 8 mil milhões de euros a um grupo privado do sistema financeiro, que são o resultado da resolução do BES e da venda do Novo Banco à Lone Star".

Nesse sentido, Jerónimo de Sousa defendeu aquilo que o PCP já tinha afirmado em comunicado, na sexta-feira: "Se o Estado paga o banco, o Estado deve gerir o banco". "Insinuam-se dificuldades. Que não há dinheiro para tudo, mas camaradas, parece que só há dificuldades quando se trata de resolver os problemas dos trabalhadores e das populações, porque para a banca e para encher os bolsos do grande capital nunca se levantam problemas. É sempre à escala de milhões e de milhões", criticou.

PS manifesta "total apoio" ao Governo na exigência de auditoria

O PS manifestou, este sábado,“total apoio” ao pedido do Governo de realização de uma auditoria ao Novo Banco, considerando essencial esclarecer que créditos e ativos estão a gerar as elevadas imparidades e obrigar a injeções de capital público.

Em declarações à Lusa, o vice-presidente da bancada do PS João Paulo Correia considerou ainda fundamental “pôr a nu” a forma como foi feita a resolução do BES, em 2014, e a separação de ativos entre este alegado “banco mau” e o Novo Banco, na altura apontado como “banco bom”.

A posição do Governo tem o total apoio por parte do PS, ao pedir uma auditoria aos ativos que têm levado ao registo de imparidades do Novo Banco. O país e os portugueses precisam de saber e têm o direito de saber que ativos são estes, que créditos são estes que foram concedidos, e quem são os seus beneficiários reais. (...) Põe a nu o que, no nosso entender, foi uma resolução feita com pouco rigor e muita matéria escondida e essa auditoria certamente irá colocar em público as razões pelas quais o Novo Banco não foi vendido em 2015 por parte do anterior governo”.

O deputado socialista salientou que o anterior executivo PSD/CDS-PP não só tinha prometido fazer esta venda até final do seu mandato, como assegurado que os contribuintes não seriam chamados a cobrir os seus prejuízos.

Para João Paulo Correia, a separação do BES e do Novo Banco, em 2014, “não foi uma ação muito transparente e deixou muitas dúvidas ao longo dos anos”. “O país e os portugueses precisam de saber de que forma é que estes ativos e créditos transitaram do BES para o Novo Banco e como foi feita esta separação”.

O ‘vice’ da bancada socialista considerou que a auditoria externa e independente defendida pelo Governo – e que tem de ser aprovada em assembleia-geral do Novo Banco – é “o instrumento mais esclarecedor”, realçando que se revelou “decisiva” para o esclarecimento público sobre a Caixa Geral de Depósitos. “Cada vez mais se percebe por que é que a venda do Novo Banco falhou em 2015, porque havia muita matéria escondida”, apontou.

Questionado se o PS apoiará pedidos já expressos pelo PSD e pelo CDS-PP para que o ministro das Finanças, Mário Centeno, seja ouvido no parlamento, João Paulo Correia considerou que tal audição “faz parte do necessário debate público sobre esta matéria”.

“O PS apoiará sempre a audição do ministro das Finanças em matérias desta envergadura e sensibilidade, o cabal esclarecimento público é sempre um bem na política”, defendeu, manifestando-se convicto de que Mário Centeno também “terá interesse” em debater com os deputados não só as contas de 2018 do Novo Banco, como “toda a situação do banco desde a resolução”.