A candidatura de Nuno Melo para a liderança do CDS-PP contestou os números das eleições autárquicas de 2021 apresentados pelo presidente do partido, considerando que Francisco Rodrigues dos Santos exibiu "três inverdades".

De acordo com a contabilização feita pelos elementos da candidatura de Nuno Melo, Rodrigues dos Santos disse que o partido “estava presente em 251 municípios, mais do que em 2017”, mas os críticos contestam que apenas está presente em 238, ou seja, “97 listas próprias ou coligações lideradas pelo CDS, 136 coligações lideradas pelo PSD e cinco grupos de cidadãos”.

Estes números, explicitam através de uma nota enviada à agência Lusa, contrastam com a presença em 265 municípios em 2017, isto é, “155 listas próprias ou lideradas pelo CDS, 95 coligações lideradas pelo PSD, uma pelo PPM e 14 grupos de cidadãos”.

“Assim, em 2021, o CDS esteve presente em menos 27 municípios do que em 2017”, completam. Estes números integram o que os críticos consideram ser as “três inverdades” referidas pelo presidente dos centristas.

“Durante a campanha, Francisco Rodrigues dos Santos afirmou que o CDS tinha mais candidatos autárquicos do que em 2017. Ora, concorrendo em menos 27 municípios e apresentando menos listas próprias (97 contra 155 de 2017) e sabendo que nas coligações o CDS apresenta menos candidatos, aquela afirmação é falsa”, prosseguem.

A terceira “inverdade”, sustentam, foi quando o presidente do partido, na noite das eleições autárquicas, disse que o partido “tinha ganho mais autarcas” do que há quatro anos.

Constata-se que o CDS perdeu "quatro vereadores, 48 deputados municipais, 13 presidentes de junta de freguesia e 167/201 membros de assembleia de freguesia, totalizando uma perda de 232/266 autarcas”, completam.

Os críticos consideram ainda que nestas eleições, em 26 de setembro, o “CDS como que se fundiu com o PSD, aumentando o número de coligações de 95 para 136”.

Sustentando que “houve conquistas importantes como Lisboa, Coimbra e Funchal”, a candidatura opositora a Rodrigues dos Santos disse que o partido “contribuiu para que o seu, também, concorrente PSD ganhasse mais 20 câmaras e segurasse quatro, sendo que nestas 24 coligações ganhadoras o CDS não tem poder executivo (vereador) em 13”.

No total dessas 24 câmaras perdemos 6 vereadores que tínhamos conquistado em 2017”, acrescenta.

A candidatura de Nuno Melo explicita que a contabilização das listas próprias foi feita através da recolha de dados do 'site' www.autarquicas2021.mai.gov.pt, e a das coligações “através do contacto com as estruturas locais” do partido, “ou, nessa impossibilidade, através de militantes locais”.

Os críticos reconhecem que “é possível que haja pequenas discrepâncias”.

O Conselho Nacional do CDS-PP reúne-se hoje, por videoconferência, para analisar os resultados das eleições autárquicas e marcar o próximo congresso do partido, que a direção propõe que seja em 27 e 28 de novembro.

São candidatos à liderança do CDS o atual líder, Francisco Rodrigues dos Santos, e o eurodeputado centrista e presidente da distrital de Braga, Nuno Melo.

Agência Lusa / RL