O candidato da CDU a presidente da Câmara de Lisboa defendeu esta sexta-feira a necessidade de uma carta municipal que regulamente as atividades turísticas na cidade, durante um passeio de ‘tuk-tuk’ entre o Chiado e o Jardim da Estrela.

A Câmara tem de planificar, tem de ordenar, tem de regular atividades, seja o alojamento local, seja o crescimento da oferta hoteleira, sejam os veículos de animação turística. É isso que permite, ao mesmo tempo, assegurar uma melhor convivência, uma melhor harmonia do turismo com as outras funções da vida na cidade, com a habitação, com os serviços públicos, com o cuidado do espaço público, com os transportes, com outras atividades económicas”, afirmou João Ferreira.

O candidato defendeu “a necessidade de elaborar uma Carta Municipal de Turismo, que integre nos instrumentos de planeamento que a cidade tem, nomeadamente no Plano Diretor Municipal, o planeamento da atividade turística, até introduzindo conceitos inovadores que outras cidades europeias implementaram, como é o caso da capacidade de carga turística”.

Ou seja, a definição de uma intensidade de carga turística, a partir da qual deixa de ser compatível a qualidade da experiência turística com a manutenção das outras funções da vida na cidade, da habitação, do bom funcionamento de serviços públicos, de um bom cuidado e ocupação do espaço público, o bom funcionamento dos transportes públicos. A partir da definição deste conceito, nós planificamos a atividade turística em Lisboa de forma a assegurar a qualidade da experiência turística e que as outras funções da vida na cidade não são afetadas”, considerou.

João Ferreira exemplificou como necessária uma regulamentação do alojamento local, oferta hoteleira e atividades de animação turística, como a dos ‘tuk tuk’, em relação aos quais defendeu a existência de contingentes.

Isto não pode crescer indefinidamente. Temos de definir um contingente e criar condições para que aqueles que existam possam fazer o seu trabalho com condições, [criar] as tais zonas de estacionamento que estão em falta, as zonas de paragem", salientou, considerando também necessário que sejam tidas em conta as próprias características dos veículos, com limitação da atividade a veículos elétricos não poluentes.

Por outro lado, defendeu a profissionalização dos condutores e animadores turísticos, considerando que ela é essencial para assegurar a defesa dos próprios operadores e a qualidade da experiência turística.

João Ferreira discordou do candidato socialista, Fernando Medina, quando defendeu “uma paragem total e absoluta em toda a cidade, em todas as freguesias, da atividade do alojamento local”, depois de, “durante muitos anos”, ter deixado “à rédea solta” a abertura de alojamentos locais.

Segundo o candidato, a CDU pretende que se “olhe para a realidade concreta de cada freguesia” e se garanta que “em cada freguesia e em cada bairro não haverá mais alojamento local do que aquele que torne possível que, ao mesmo tempo, existam as outras funções que são necessárias num bairro".

O passeio de ‘tuk tuk’ começou no Largo Luís de Camões e terminou à porta do Jardim da Estrela, onde João Ferreira realizou hoje à tarde uma ação de rua, ouvindo lisboetas e comerciantes da zona da Estrela.

Agência Lusa / CE