Jerónimo de Sousa começou o discurso desta noite a dizer que estas eleições e a campanha se realizaram num quadro "particularmente exigente" e, talvez por isso, o resultado não tenha sido o esperado.

Um resultado, sem prejuízo da sua expressão nacional, ficou aquém dos objetivos colocados", reconheceu, dizendo no entanto que "independentemente das perdas que se assinalam" a CDU "confirma-se como uma grande força do poder local"

O dirigente comunista acrescentou que pessoalmente está desiludido com resultados eleitorais obtidos pela coligação, que ainda não são conhecidos, e que agora se inicia o período de avaliação.

Não estou satisfeito com o resultado, não estou. Temos muito que avaliar, refletir, mas sempre com um sentido de que é preciso reforçar a CDU, como vamos fazer, refletindo sobre o que fizemos de menos bem”, sustentou.

O secretário-geral do PCP disse ainda que as populações de cada concelho podem continuar a contar com os eleitos da CDU para "prosseguir o trabalho" e que agora é tempo de "olhar para o futuro e dar as respostas que se podem e devem dar". 

Não se pode, em nome das opções de classe do PS, adiar soluções para agravar os problemas do país. Portugal precisa de um outra política, uma política alternativa capaz de resolver os problemas acumulados e encetar uma trajetória de desenvolvimento económico, social e ambiental. Para esse caminho, os trabalhadores e o povo podem contar com o PCP e o PEV", disse no SANA Metropolitan Hotel, em Lisboa, o local escolhido pela CDU para acompanhar a noite eleitoral, a poucos metros da sede do PCP.

Interpelado pelos jornalistas sobre o que poderá ter influenciado os resultados da CDU, Jerónimo de Sousa explicou que a pandemia, “que se prolongou por mais de um ano e meio, diminuiu o contacto com as populações e as “iniciativas de massas” típicas da CDU.

Como é que se diz no futebol? Por um se ganha, por um se perde”, observou.

A CDU - composta pelo Partido Comunista Português (PCP), pelo Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) e pela Associação Intervenção Democrática - concorreu a 305 câmaras nas eleições autárquicas deste ano.

Em 2017, a CDU perdeu um total de 10 câmaras.

Cláudia Évora