O secretário-geral do PCP apelou esta segunda-feira aos comunistas que vão para a rua no dia 25 de fevereiro para que elevem “a luta” e se juntem à ação nacional da CGTP na defesa dos salários, emprego e direitos.

O apelo foi feito numa sessão para assinalar os 90 anos do órgão central do PCP, em Lisboa, e onde Jerónimo de Sousa repetiu as principais reivindicações do partido na resposta à crise epidémica de covid-19, entre elas mais contratação de pessoal para a área da saúde e o pagamento a 100% aos pais que ficam em casa com os filhos em tempo de aulas à distância.

O líder dos comunistas traçou um cenário de dificuldades em Portugal e no Mundo, para justificar, depois, que esta é “uma realidade” que “apela ao reforço” da intervenção e iniciativa “nas empresas e locais de trabalho” e “à mobilização e desenvolvimento da luta que precisa de ser elevada e ampliada”.

Luta que tem, no imediato, data marcada, por decisão da CGTP-IN para o próximo dia 25 deste mês, que exige de nós um empenhamento prioritário na participação e mobilização”, afirmou.

Numa intervenção longa, numa sessão em que se evocou a criação e a história do Avante, desde 1931, Jerónimo de Sousa dividiu o discurso em três partes, um de evocação histórica e do papel do órgão central do partido, as reivindicações ao Governo na resposta à crise e a exigência de uma “política diferente”.

Após ouvir o diretor do Avante, Manuel Rodrigues, e depoimentos de militantes e dos seus esforços por vender o jornal, que custa 1,20 euros, o secretário-geral definiu-o como “um jornal comunista onde se lê o que não pode ler-se em nenhum órgão da comunicação social dominante, onde se pode perceber o que propõe e o que defende o PCP, como se organiza, como leva a cabo o seu trabalho coletivo, como mobiliza os seus militantes, os trabalhadores e o povo para as batalhas de todos os dias”.

E depois, passou às reivindicações em tempos de pandemia, insistindo no desafio, já feito várias vezes na última semana, de o Governo aceite “pagar a 100% a assistência à família” de pais que fiquem em casa com os filhos, enquanto as escolas não reabrirem e as aulas forem à distância.

Permitir que quem está em teletrabalho possa acionar a assistência à família. Alargar o apoio até aos 16 anos. São estas as medidas que permitem que as famílias tomem livremente as melhores decisões para acompanhar as crianças enquanto as escolas estiverem fechadas, período que, lembramos, deve ser o mais breve possível”, disse.

O PCP apresentou propostas nesse sentido, que serão discutidas no parlamento na quinta-feira, e Jerónimo insistiu que “é imperioso que o PS não fuja a dar resposta positiva a este problema e o Governo corrija imediatamente o erro que está a cometer.

Esse é o desafio que daqui lançamos”, disse.

Insistiu ainda no “reforço do Serviço Nacional da Saúde (SNS)”, com a contratação de mais profissionais, para “responder às necessidades imediatas no plano sanitário e para reforçar o nível de resposta exigível à garantia dos cuidados de saúde em geral”.

E voltou a defender a necessidade de “avançar com o processo de vacinação”, impondo-se, disse, que “o Governo não se conforme com a posição de servilismo da União Europeia perante as imposições das grandes farmacêuticas multinacionais”.

/ HCL