O presidente do Chega afirmou este sábado que não abdica de que a regulação da "imigração islâmica" para a União Europeia seja feita por quotas, sob pena de haver um “problema muito grave” nos países que recebem estes imigrantes.

Não abdico de que a regulação da imigração islâmica seja feita por quotas para a União Europeia e acho que isso é muito importante”, sublinhou André Ventura, argumentando que esta imigração “não é igual” à outra imigração.

No segundo dia do VII Conselho Nacional do Chega, o conselheiro Nuno Afonso, ex-vice-presidente do partido, propôs afastar a existência de quotas para a imigração e introduzir um sistema por pontos como o que existe em Inglaterra e na Austrália.

No entanto, para André Ventura a “única hipótese” é haver quotas para regular a imigração proveniente de comunidades islâmicas, sob pena de vir a existir um “problema muito grave” em território português.

Não estamos a falar da mesma coisa. Quem já andou à volta de Bruxelas vê o que é sair do centro de Bruxelas, é entrarmos na Arábia Saudita, verdadeiramente”, afirmou, dando ainda os exemplos de Londres ou Paris.

O partido já tinha anunciado em junho um projeto de resolução que recomendava ao Governo que definisse quotas máximas para a imigração proveniente de países islâmicos.

Nós, em relação à imigração islâmica, por muito duro que isto seja de ouvir para os europeus, temos de ter quotas”, defendeu, especificando que na imigração de outras proveniências “pode haver quotas zero, até”.

No âmbito da proposta, ficou decidido alterar o título do artigo 55.º do programa político do Chega de “Livre circulação de pessoas” para “Imigração controlada e responsável”, mantendo as quotas e introduzindo na redação final o sistema por pontos.

Ao longo do segundo dia de trabalhos, o Conselho Nacional do Chega tem estado a votar propostas de aditamento e substituição ou alteração da redação original de artigos contidos no novo programa, hoje aprovado na generalidade.

O novo programa contém menos propostas concretas e deixa de fora algumas ideias, como a referência a uma “profunda revisão da Constituição”, e as medidas que queria implementar nesse âmbito, como a presidencialização do regime ou a redução do número de deputados e de ministérios.

No texto hoje aprovado também não constam as referências a uma quarta República e a proposta direta de uma reforma do sistema, que integravam o programa em vigor desde a fundação do partido.

O VII Conselho Nacional do Chega termina este sábado, em Sagres, no Algarve, contando com a participação de uma centena de conselheiros.

O debate e aprovação do programa do Chega, que dividiu o partido, esteve agendado para o congresso nacional de Coimbra, de 28 a 30 de maio, mas foi adiado para a primeira reunião do conselho nacional.

/ CE