O líder do CDS admitiu esta terça-feira em entrevista à TVI que existe um clima de tensão e de discrepância política dentro do partido e prometeu ouvir os diferentes protagonistas já no ínicio do próximo ano.

Questionado sobre os relatos de discussões acesas dentro da direção de Francisco Rodrigues dos Santos e da direção cessante, "Chicão" afirma que existem "divergências de opinião", mas sublinha um " eco desproporcional que não corresponde ao espírito de unidade no partido".

Tem havido uma conversão das posições iniciais, no sentido da conciliação interna do partido, mas teremos de continuar a aprofundar o diálogo. A liderança afirma-se por querer fazer das palavras ações", explica.

Francisco Rodrigues dos Santos garante ainda que, na primeira semana de janeiro, quer ouvir os diferentes protagonistas do partido, para que haja uma convergencia no essencial da mensagem do CDS, "no sentido de apaziguar as efervescências".  "Um líder não deve temer críticas, mas também não deve perder a autoconfiança".

O líder do CDS nega ter o desejo de ocupar o a posição de Cecília Meireles na Assembleia da República, uma ideia sugerida pelo vogal Raúl Almeida, sublinhando que a promessa de salvar o partido parte da ação do seu líder nas ruas de Portugal.

Há cerca de um ano, Rodrigues dos Santos garantiu ser o nome sinónimo do resgate do CDS da extinção, porém, confrontado com as sondagens mais recentes, esse fim parece mais distante do que nunca - algumas sondagens colocam mesmo o partido na linha da margem de erro.

Porém, "Chicão" ignora os resultados preliminares dramáticos e prefere concentrar-se naquilo que é real: o CDS fazer parte da solução governativa na Madeira e, mais recentemente, nos Açores.

"Como é que é possível um partigo que governa Madeira e Açores e seis autarquias pode ser irrelevante. Eu estou esperançoso que haja uma sondagem que dá 0% ao CDS e 100% ao PS", ironiza, destacando que Paulo Portas chegou mesmo a ter 2% nas sondagens.

As sondagens dão ainda um crescimento notável ao Chega, francamente superior aos resultados obtidos pelo CDS-PP. Sobre este assunto, Rodrigues dos Santos prefere não comentar, mas não deixa de vincar o combate do partido "aos extremismos e os radicalismos, tanto à esquerda como à direita".

"Não penso em nenhum outro partido, esse partido dizia que iria ser a terceira força política nos Açores e ficou atrás do CDS. Todos os democratas da direita convicta sabem que a sua voz é o CDS e que fora dele vão acabar por se desiludir", sublinha, realçando que a concorrência é maior, mas que não deve motivar um discurso de falta de bondade , de moderação e de sensatez.

"Estou empenhado em construir uma maioria de centro-direita preferencialmente com o PSD, se isto não for possível, nós não repudiamos aqueles que nos apoiam no nosso programa eleitoral", explica o líder do CDS, manifestando que dentro do tabuleiro democrático, qualquer apoio é bem-vindo.

"O CDS formará uma maioria presidencial que permitirá a Marcelo vencer as eleições"

Francisco Rodrigues dos Santos destacou ainda o apoio dado pelo partido ao presidente incumbente, salientando que essa manifestação vai dar frutos nas próximas eleições de 24 de janeiro.

Creio que o CDS formará uma maioria presidencial que permitirá a Marcelo Rebelo de Sousa vencer as eleições presidenciais, isso não tenho dúvida nenhuma", argumenta o líder do CDS.

"Chicão" justifica a escolha em Marcelo por este ser um excelente intérprete do programa eleitoral, através do uso do seu poder de veto "provou que responde a pedras basilares do programa", como a oposição à lei das novas regras para a contratação publica, ou à lei de bases da saúde.

Pressionado sobre se consegue encontrar alguma crítica à legislatura de Rebelo de Sousa, Rodrigues dos Santos começa por elogiar o presidente por ser um defensor da estabilidade. Mas critica-o por transmitir a ideia de ser "um homem providencial que quer falar de todos os assuntos ao mesmo tempo.

Acredito que em certas alturas pudesse ter sido mais contumbente", admite.

Interrogado sobre a sua visão dos acontecimentos que sucederam à morte de um cidadão ucraniano nas instalações do SEF, o líder do CDS afirma não ter dúvidas de que Marcelo "escancarou a porta" para a saída de Eduardo Cabrita, na entrevista concedida esta segunda-feira à TVI.

(Marcelo) escancarou a porta de saída ao ministro Eduardo Cabrita. Ninguém entende como é que ainda está em funções e não se conseguiu demitir. Isto é um embarasso nacional, é algo que é obvio para todos os portugueses, exceto para Cabrita", assume Chicão.

CDS mantém diálogo com Rio para aliança nas autárquicas

Francisco Rodrigues dos Santos vê as eleições autárquicas de 2021 com otimismo, sublinhando que espera que o CDS garanta as seis mesmas autarquias que detém posse e que aumente o número de mandatos camarários disseminados em todo o país.

Para isso, o líder do CDS garante manter um diálogo estruturado para chegar a um acordo com o Partido Social-Democrata e reconquistar pontos fulcrais, como Lisboa.

É nosso objetivo reconquistar câmaras prioritárias, como Lisboa", afirma, destacando que Assunção Cristas continua a ser uma opção viável para a liderança da Câmara Municipal de Lisboa.

Há hipóteses reais, garante Francisco Rodrigues dos Santos, "de um centro direita unido vencer".