O primeiro-ministro português José Sócrates defendeu esta quinta-feira em carta a líderes europeus a criação um novo «mecanismo multilateral» que envolva mais países, do que os representados no G20, na discussão das grandes questões mundiais, avança a agência Lusa.

«Organizações como a ASEAN, a União Africana, o MERCOSUL, o Grupo de São José e o CARICOM, o Conselho de Cooperação do Golfo, as estruturas emergentes na Ásia central e oriental, entre outros, deveriam ser convidados a participar», precisou o primeiro-ministro português.

José Sócrates avançou esta ideia numa carta, em que dá a contribuição para a reunião do G20 de 2 de Abril em Londres, enviada ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, ao primeiro-ministro da República Checa, Mirek Topolanek, e ao primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

O governante português concorda que o G20 permanece «o fórum privilegiado no qual a UE deverá continuar a apresentar as suas propostas e a defender as melhores soluções» para as principais questões com que se confronta.

Mas defende que «é igualmente essencial» alargar «a base do consenso internacional» relativo às medidas políticas a tomar para resolver a crise económica e financeira e reformar o sistema financeiro internacional.

«Deve ser promovida uma efectiva multilateralização dos trabalhos levados a cabo ao nível do G20», escreve José Sócrates.

União Europeia com papel de «charneira»

O primeiro-ministro gostaria que a UE assumisse «um papel charneira», juntamente com o Banco Mundial, na promoção desse novo «mecanismo multilateral» cujo mandato «não deveria limitar-se à duração da crise» actual.

«As discussões e conclusões do Fórum seriam, naturalmente, transmitidas ao G20», continua Sócrates, sugerindo que uma primeira reunião poderia ser convocada pelo Banco Mundial à margem da próxima «reunião da primavera» em Washington, a 25 e 26 de Abril.

A proposta do primeiro-ministro português foi feita na véspera da Cimeira da Primavera da União Europeia e a duas semanas da reunião de Londres do G20.

Criado em 1999, o G20 integra os sete países mais industrializados do mundo (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Itália, Japão, Alemanha), as economias emergentes (Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia) e a União Europeia.

O G20 representa 85 por cento da economia mundial e cerca de dois terços da população.
Redação / AP