Os deputados do PSD da Assembleia Municipal de Lisboa propuseram esta terça-feira a criação de uma comissão permanente para acompanhar a gestão das àreas da frente ribeirinha que vão passar para a jurisdição da Câmara. A proposta foi aprovada por unanimidade, confirmou ao PortugalDiário Victor Gonçalves do PSD e membro da Comissão Permanente de Urbanismo e Mobilidade social-democrata.

Na base da proposta está o medo que a zona «seja alvo de especulação imobiliária», explica. «Até porque», lembra o deputado municipal, «já existem exemplos de excessos na frente ribeirinha, como a agência marítima europeia e o hotel» que nasceu entre o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém.

Câmara de Lisboa ganha poder sobre o rio

«É o fim do porto de Lisboa»

Vítor Gonçalves recorda mesmo que o referido Hotel é da autoria do actual vereador socialista, com a pasta do urbanismo, Manuel Salgado.

«O plano de vista é essencial para a cidade de Lisboa, conhecida pelas suas colinas. É preciso atenção e faz parte do trabalho da Assembleia Municipal este tipo de acompanhamento», acrescenta.

«Ainda falta o PDM»

Vítor Gonçalves lamenta também que até ao momento nada tenha sido feito relativamente à revisão do Plano Director Municipal (PDM). «A paragem do projecto é justificada», afirma o deputado municipal, «pelo vereador da pasta, Manuel Salgado, com o facto de Lisboa estar à espera de decisões sobre a Terceira Travessia do Tejo ou a estação do TGV». «Lisboa não pode ficar à espera dessas decisões do executivo, não pode parar», defende.

Autarquia estará atenta

Já pela autarquia, o vereador do urbanismo, Manuel Salgado, garantiu que partilha as «preocupações sobre a especulação imobiliária» na frente ribeirinha, prometendo a «maior colaboração» do executivo com a comissão a criar.

Também o PCP abordou a questão dos planos de pormenor. O deputado municipal comunista Silva Dias criticou o que considera ser a «falta de visão sistémica» da Câmara em relação à cidade, aludindo à elaboração de planos de pormenor para várias zonas diferentes e defendeu que ao concentrar-se na frente ribeirinha, a Câmara não deve esquecer o interior da cidade.

Recorde-se que o Governo e Câmara de Lisboa assinaram a 28 de Janeiro um protocolo que transferiu para a autarquia a gestão de várias áreas, cerca de 16 quilómetros, anteriormente controladas pela Administração do Porto de Lisboa. Dentro de dois meses a Câmara deverá apresentar um plano estratégico para as zonas que passaram para a sua responsabilidade.
Patrícia Pires / com Lusa