A secretária-geral adjunta do PS pediu hoje uma "maioria absolutamente inequívoca" do seu partido nas próximas eleições legislativas, embora também reconheça o contributo do Bloco, PCP e PEV nos resultados da atual governação.

"O que estou a pedir é que os portugueses confiem no PS para continuarmos este caminho de recuperação e que haja uma maioria absolutamente inequívoca para o partido", declarou Ana Catarina Mendes a meio da reunião da Comissão Nacional do PS, no Parque das Nações, em Lisboa.

Perante os jornalistas, foi desta forma que a "número dois" da direção do PS respondeu, depois de questionada se o PS coloca como objetivo a obtenção de uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas.

Ana Catarina Mendes começou por ser interrogada se partilhava as recentes críticas feitas pelo líder parlamentar do PS, Carlos César, aos parceiros da atual solução governativa, sobretudo ao Bloco de Esquerda.

A secretária-geral adjunta do PS fez um breve balanço da história política da esquerda nesta legislatura.

"Foi muito importante para Portugal que, sob a liderança do PS e de António Costa, fosse encontrada uma solução de Governo que trouxesse de novo estabilidade política e social ao país, devolvendo-se direitos e rendimentos aos cidadãos. Ao mesmo tempo, o país credibilizou-se perante as instituições europeias", disse.

Ou seja, segundo Ana Catarina Mendes, "foi para todos muito claro que, sendo o PS o maior partido na solução de Governo, sem ele não seria possível um conjunto de resultados".

"Mas também é preciso dizer que os parceiros (Bloco de Esquerda, PCP e PEV), que ao longo de quatro anos apoiaram as soluções de Governo e aprovaram os orçamentos do Estado, contribuíram para essa credibilidade", salientou logo a seguir a secretária-geral adjunta do PS.

Critérios para escolha dos deputados aprovados e primárias rejeitadas

A Comissão Nacional do PS aprovou hoje, por larga maioria, o conjunto de critérios proposto pela secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, para a escolha de candidatos a deputados nas eleições legislativas.

Numa reunião que durou cerca de três horas e que decorreu no Parque das Nações, em Lisboa, a proposta de critérios para a escolha de candidatos a deputados - processo que encerrará no dia 23 de julho com a aprovação definitiva das listas - teve apenas 14 votos contra.

Outra resolução tomada na reunião foi o chumbo da proposta apresentada pela corrente minoritária liderada pelo dirigente socialista Daniel Adrião no sentido de o PS recorrer a eleições primárias (abertas a todos os cidadãos) para designar os seus candidatos a deputados às próximas eleições legislativas. Esta proposta teve só 23 votos favoráveis.

Perante os jornalistas, Ana Catarina Mendes destacou como critérios essenciais "a abertura das listas de candidatos à sociedade civil e deverem ser tendencialmente paritárias", ou seja, constituídas por igual número e de mulheres.

Por imposição legal, na composição das listas de candidatos, o PS terá de cumprir a regra segundo a qual cada um dos géneros terá de possuir uma representação mínima de 40%.

"Queremos que haja uma maior participação de mulheres na vida política. Consideramos que isso é muito importante", reforçou a secretária-geral adjunta dos socialistas.

Em relação ao perfil dos candidatos a deputados do PS, Ana Catarina Mendes classificou como desejável "a escolha de gente empenhada e comprometida com um projeto para a sociedade portuguesa".

"É preciso que cada candidato seja representativo de um dos diversos setores da sociedade e possa contribuir para defender e melhorar o Estado social. Deve ter também em atenção uma agenda absolutamente premente para Portugal nos próximos anos: enfrentar os desafios das alterações climáticas", disse.

Interrogada sobre qual será a orientação do PS em relação a candidatos a deputados com problemas judiciais, Ana Catarina Mendes alegou que "essa questão está há muitos anos definida" no seu partido.

"Além dos critérios que apontei, temos o compromisso de ética que foi assinado há quatro anos pelos nossos candidatos e que voltará a ser por eles assinado", acrescentou.

No final da reunião da Comissão Nacional do PS, o secretário-geral socialista, António Costa, não falou aos jornalistas.

No entanto, segundo fontes socialistas, António Costa explicou os motivos de não aceitar agora a realização de eleições primárias para a escolha dos candidatos a deputados.

O líder socialista defendeu que o recurso a este método, que abre o ato eleitoral à generalidade dos cidadãos, não pode ser meramente processual e só deve ser feito "em momentos substanciais" no plano político, "com importante disputa" em termos de projetos.

Daniel Adrião, em declarações aos jornalistas, rejeitou esta linha de argumentação e considerou "inaceitável" a atuação de António Costa em matéria de eleições primárias.

"António Costa foi eleito [pela primeira vez] em primárias [em setembro de 2014 contra o então líder António José Seguro]. Por isso, tinha a obrigação de dar a outros a oportunidade que teve quando usufruiu desse mecanismo, um mecanismo que está previsto nos estatutos", sustentou.

Daniel Adrião defendeu ainda que o PS, ao rejeitar eleições primárias, "perde mais uma oportunidade política, não travando o crescente divórcio entre cidadãos e partidos".

"Nas últimas eleições europeias, apenas 24% dos cidadãos votaram em partidos", advogou este dirigente socialista.