O PCP apresentou esta quarta-feira um projeto de resolução que recomenda ao governo a nacionalização da Groundforce, considerando que o executivo deve agir de imediato para assegurar o pagamento de salários e salvar a empresa.

Aquilo que nós propomos é que haja uma intervenção imediata do governo na empresa para assegurar o pagamento atempado de todos os salários, avalizar o empréstimo necessário para restabelecer o equilíbrio financeiro da empresa e proceder à nacionalização, para garantir a estabilidade de uma empresa e de um setor de uma importância estratégica para a aviação civil e o seu desenvolvimento”, declarou o deputado comunista Bruno Dias, em conferência de imprensa na Assembleia da República.

Para o grupo parlamentar comunista, esta “não é, nem pode ser vista, como uma atividade negligenciável ou dispensável no contexto da aviação civil”, apontando que, além da empresa, também são “indispensáveis os trabalhadores”.

Nesse sentido, tendo em conta as gravíssimas ameaças que pendem atualmente sobre a empresa SPdH Groundforce e os seus trabalhadores, é inaceitável que os seus trabalhadores continuem a ser colocados como arma de arremesso e a ser colocados perante o ataque aos direitos e os salários em atraso”, defendeu o deputado.

Considerando que “é da máxima urgência uma intervenção concreta e decidida por parte do governo português”, o PCP avança com este projeto de resolução para “colocar em cima da mesa a extrema necessidade desta intervenção” mas avisa que o executivo não tem de “ficar à espera” do debate da iniciativa para agir.

É importante sublinhar que a SPdH Groundforce só irá encerrar se o governo assim o entender”, sublinhou o deputado comunista.

Bruno Dias argumentou que “tal como ficou demonstrado que, se a TAP não viesse para a esfera pública hoje já não existiria, se a Groundforce não vier de facto para a esfera pública e não for intervencionada, ela de facto não existirá”.

Esta iniciativa do PCP é, desde já, um contributo objetivo e construtivo para, no plano político, sinalizar e sublinhar a extrema importância de uma ação com a máxima urgência por parte do governo português”, rematou.

BE pergunta ao Governo como vai garantir salários em atraso na Groundforce

O BE perguntou ao Governo como pretende garantir o pagamento da totalidade dos salários em atraso aos trabalhadores da Groundforce, avisando que adiar uma solução definitiva pode empurrar a empresa para uma possível insolvência.

Um dia depois de a coordenadora do BE, Catarina Martins, ter defendido que, independentemente do apuramento das responsabilidades do acionista privado, a solução para Groundforce deve passar pela nacionalização, o BE entregou hoje no parlamento uma pergunta dirigida ao Ministério das Infraestruturas e Habitação sobre os salários em atraso e risco de insolvência na empresa.

O Governo não pode continuar a adiar uma solução definitiva para a empresa, empurrando a Groundforce para uma situação insustentável, precipitando uma possível insolvência ou uma venda ao desbarato a grupos de investidores privados”, avisou o partido.

Assim, os bloquistas querem saber como é que o Governo pretende “garantir o pagamento da totalidade dos salários em atraso aos trabalhadores”.

Que soluções tem pensadas para não permitir que a partir de dia 12 de março [sexta-feira] possa existir incumprimento e consequente falha no acesso ao apoio à retoma progressiva”, questionou.

O BE, através da deputada Isabel Pires, questiona a tutela de Pedro Nuno Santos sobre como é que prevê que “a TAP seja capaz de responder ao aumento do tráfego aéreo previsto para maio” sem assegurar a capacidade operacional e financeira da Groundforce, recordando que esta empresa já perdeu mais de mil trabalhadores este ano.

/ HCL