O candidato presidencial João Ferreira defendeu esta quinta-feira que os apoios às empresas devem ser preferencialmente canalizados para as de menor dimensão, considerando que nem sempre os governantes tiveram a noção da fronteira que as divide dos grandes grupos.

Em declarações frente à fábrica da Continental Mabor, em Vila Nova de Famalicão, João Ferreira considerou que “não é aceitável que, sendo globalmente reduzidos, esses apoios se esgotem em grande parte em grandes empresas ou até em grupos económicos”, sublinhando que devem chegar “a quem verdadeiramente” deles necessita.

Questionado pelos jornalistas sobre se o atual Presidente da República não conseguiu encontrar uma solução efetiva para as pequenas empresas, o candidato comunista respondeu que “demasiadas vezes não se soube perceber o conflito que se percorre na sociedade portuguesa, também na economia”, no que toca à diferença entre as pequenas e as grandes empresas.

Nós temos de um lado as necessidades de milhares e milhares de micro, pequenos e médios empresários. Temos de outro lado grandes empresas, grandes grupos económicos. A capacidade de uns e outros é diferente, a forma como foram afetados por esta pandemia é muito diferente, os apoios dirigidos a uns e a outros têm de ser muito diferentes também”, sublinhou.

Depois de receber o apoio à sua candidatura de um conjunto de trabalhadores da Continental Mabor, o eurodeputado reiterou que “talvez não tenha havido a perceção desse conflito” que percorre a economia, que é como “uma fronteira que divide dois mundos completamente diferentes”.

Antes deste encontro, o candidato apoiado pelo PCP e pelo PEV tinha estado com antigos trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo, empresa que quando deixou de ser pública devido a uma “opção política deliberada”, passou a ser uma “referência pela negativa”.

Hoje o que temos é uma referência pela negativa, uma selva de precariedade laboral, uma permanente rotação de trabalhadores vindos de empresas de trabalho temporário, altamente precário”, salientou, notando que este “é um exemplo daquilo que não deve acontecer” no futuro.

Para João Ferreira, é preciso valorizar um setor chave para Portugal como é o mar, mas este setor “não se explora” sem navios, logo, setores como a construção e a reparação navais são “absolutamente essenciais” e uma mais valia no âmbito da valorização da produção nacional.

Para sexta-feira o candidato tem previstas ações nos distritos de Coimbra e de Setúbal: de manhã um encontro com trabalhadores da Saúde em Coimbra, à tarde uma iniciativa sobre o desenvolvimento na Península de Setúbal e à noite um contacto com trabalhadores da recolha de resíduos em Palmela.

/ CE