Um cenário de coligação com o PS «não está de todo em cima da mesa», disse esta quarta-feira António Borges quando instado a comentar as declarações de Paulo Pedroso, em entrevista à TSF, na qual defende que se o PS não conquistar a maioria absoluta em 2009 não deve descartar a hipótese de formar governo com o PSD.

«Não devemos fazer comentários sobre questões internas do PS, que estão a ser debatidas no quadro do PS», referiu o social-democrata. «Do nosso ponto de vista esse cenário não está de todo em cima da mesa, mas deixe lá o PS pensar o que quer fazer com o seu futuro", disse.

Na entrevista à TSF, Paulo Pedroso afirma mesmo nada ter contra o Bloco Central. «Não sendo um cenário que eu deseje, não vejo porque é que tem de ser afastado à partida», afirma o ex-dirigente socialista, que retomou segunda-feira o seu cargo de deputado.

«PS não deve ter medo de um bloco central»

António Borges falava aos jornalistas à margem de uma reunião com a delegação da CAP, na sede do partido, reiterando que o PSD não tenciona pronunciar-se sobre a matéria.



Menezes sem apoios para Congresso extraordinário

O vice-presidente do PSD António Borges considerou ainda que «não faz qualquer sentido» a realização de um congresso extraordinário no primeiro trimestre de 2009, conforme sugeriu o ex-líder social democrata, Luís Filipe Menezes.

Em entrevista à SIC Notícias, há dois dias, Luís Filipe Menezes admitiu recandidatar-se à presidência do PSD num eventual congresso que considerou urgente realizar até ao primeiro trimestre de 2009, para que haja regeneração do partido.

Instado a comentar a possível candidatura de Menezes, António Borges disse tratar-se de «debates sobre os quais o PSD não se pronuncia».

As declarações de Luís Filipe Menezes também não fazem eco em Santana Lopes e Pedro Passos Coelho. Ao Diário de Notícias, o ex-líder parlamentar diz não estar «de acordo que, ao fim dois meses, haja intervenções dessas». «A drª Manuela Ferreira Leite tomou posse em Junho e esteve ausente algum tempo, por isso o meu sentido de responsabilidade diz-me que não posso concordar. Acho que é preciso dar tempo para as pessoas mostrarem o que valem».

Também do lado do Passos Coelho a palavra é «estabilidade». Miguel Relvas, braço-direito do ex-candidato às eleições internas, garante que «a instabilidade tem feito muito mal ao partido, em pouco mais de um ano tivemos três líderes, o que não é salutar».
Redação / JF