Agora é mesmo oficial. O eurodeputado Paulo Rangel vai ser candidato à presidência do PSD nas próximas diretas, que se realizam no dia 4 de dezembro.

O anúncio foi feito esta quinta-feira no Conselho Nacional, em Lisboa. 

Não podemos ser mais o partido da espera, da espera em cair de maduro. Temos de ser o partido da esperança”, afirmou, de acordo com relatos de conselheiros nacionais presentes na reunião à porta fechada.

Depois de ter ganho o primeiro "embate" da noite, com uma maioria expressiva a rejeitar a proposta da Comissão Política Nacional para adiar a decisão sobre as eleições internas do PSD (71 votos contra e apenas 40 a favor), Paulo Rangel fez uma intervenção confirmando que será candidato à sucessão de Rui Rio.

Segundo relatos feitos à TVI, Rangel afirmou que o PSD não pode ficar apenas à espera que o poder caia e diz querer passar dessa estratégia de espera para a "ambição da esperança", rematando que apresentará em breve "com toda a lealdade e liberdade" a sua candidatura às eleições de 4 de dezembro.

Que o dia 4 de dezembro represente a fecundação do partido que seja capaz de criar esperança”, antecipou. 

Durante a intervenção, Paulo Rangel já tinha sublinhado que é leal, mas também é livre, e prometeu um projeto de oposição responsável mas com firmeza.

Não acredito num PSD cuja função seja estar sentado no sofá à espera que o Governo de Costa caia de maduro. Eu quero ser o partido que tem uma alternativa ao Costa”, defendeu.

A apresentação pública da candidatura foi confirmada mais tarde e tem lugar nesta sexta-feira, às 17:00, num hotel em Lisboa.

As eleições diretas do PSD foram hoje marcadas para 4 de dezembro e o Congresso vai realizar-se entre 14 e 16 de janeiro, em Lisboa.

Paulo Rangel, 53 anos, é eurodeputado desde 2009, tendo sido por três vezes consecutivas cabeça de lista nas europeias pelo PSD, e é vice-presidente do Partido Popular Europeu.

Líder parlamentar do PSD entre 2008 e 2009, sob a liderança de Manuela Ferreira Leite, Rangel disputou a presidência do PSD em 2010, conseguindo 34,4% dos votos contra os 61% de Pedro Passos Coelho, numas eleições a que também concorreram José Pedro Aguiar Branco (3,42%) e Castanheira Barros (0,27%).

Em 2017, voltou a ponderar concorrer à presidência do PSD, aquando da saída de Pedro Passos Coelho, mas decidiu não avançar invocando razões de ordem familiar.

Nas últimas diretas, em 2020, apoiou o atual presidente, Rui Rio, contra Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz, mas meses mais tarde viria a recusar um convite da direção para ser o candidato do PSD à Câmara Municipal do Porto.

O presidente do PSD, Rui Rio, ainda não esclareceu se será ou não recandidato ao cargo.

Cláudia Évora Paula Caeiro Varela / Notícia atualizada às 07:00