A direção do PSD apresenta na noite desta terça-feira ao Conselho Nacional uma previsão de orçamento para o próximo ano de 8,47 milhões de euros, dos quais 2,7 milhões de euros para as três eleições de 2019.

Estes dados foram avançados à Lusa pelo secretário-geral adjunto do PSD Hugo Carneiro, que salientou que, expurgado o financiamento necessário para financiar as europeias, legislativas e regionais da Madeira (valor que depois é em parte ou totalmente reporto pelas subvenções do Estado), o orçamento é de 5,77 milhões de euros.

Hugo Carneiro escusou-se a fazer comparações com o orçamento de 2018, uma vez que as contas só ficarão fechadas no final do primeiro trimestre.

Além das eleições, Hugo Carneiro destacou neste orçamento a aposta na informatização do partido e o apoio a candidaturas autárquicas que ficaram endividadas em 2017 por, apesar de terem cumprido os orçamentos, terem ficado aquém das expectativas eleitorais (e recebido menos apoio público).

Hugo Carneiro salientou que, em 2019, o PSD terá “uma enorme inovação em termos tecnológicos”, que passará, por exemplo, por os militantes passarem a ter uma área reservada, na qual receberão alertas quando tiverem de efetuar o pagamento das suas quotas, que passará a poder ser feito por débito direto ou através do método MB Way.

De acordo com o secretário-geral adjunto do PSD, quem se quiser filiar no partido poderá fazer todo o processo de candidatura ‘on line”, fazendo uma validação com a chave digital do cartão do cidadão.

Também as estruturas do partido terão direito a uma área reservada, a partir da qual poderão comunicar de forma informatizada com a sede nacional.

No orçamento do PSD para 2019 está ainda prevista uma verba de 80 mil euros para auxiliar as candidaturas autárquicas que, tendo cumprido o orçamento previsto, ficaram com dívidas por terem tido resultados abaixo do previsto.

Esta verba será distribuída, segundo Hugo Carneiro, de acordo com “critérios estritos e objetivos”, quer distritais quer em função do número de votos.

Questionado se existem cortes previstos para as estruturas autónomas, como foi noticiado no caso da Juventude Social-Democrata, Hugo Carneiro escusou-se a comentar, dizendo que hoje será aprovado o orçamento global.

Em maio deste ano, foi aprovado o relatório das contas consolidadas do PSD referentes a 2017, em que se aponta o agravamento em 38% do prejuízo do partido em relação a 2016 – passando de 8,4, para 14,4 milhões de euros.

A pesar nas contas esteve, sobretudo, o prejuízo de quase três milhões de euros dos sociais-democratas com as campanhas eleitorais das autárquicas de outubro de 2017, nas quais o partido gastou 12,78 milhões de euros e obteve receitas de cerca de 9,8 milhões.

O Conselho Nacional do PSD está reunido hoje à noite, em Setúbal, para aprovar o orçamento do partido para o próximo ano, debater a situação política e iniciar o processo de revisão dos estatutos.

Remar na mesma direção

Já no decorrer do Conselho Nacional, o vice-presidente social-democrata Nuno Morais Sarmento classificou a reunião como “uma manifestação de maturidade e entusiasmo”, em que a generalidade reconheceu que o interesse do partido “obriga” todos a remar na mesma direção.

O Conselho Nacional tem decorrido com normalidade, com diversidade, mas com a consciência por parte de todos que, a partir deste momento, o interesse do PSD nos obriga a remarmos, colocarmos todas as nossas forças numa única direção”, afirmou, em declarações aos jornalistas, a meio da reunião que decorre desde as 21:30 de terça-feira, em Setúbal.

Para o vice-presidente social-democrata, a realidade da reunião de hoje “é bem diferente” da que diz ler nos jornais e ver nas televisões sobre o que acontece nas reuniões internas do PSD.

"Tempo é o melhor aliado"

Na sua intervenção inicial, em parte audível fora da sala do Conselho Nacional, o presidente do PSD, Rui Rio, defendeu que “o tempo é o melhor aliado” da sua estratégia, que passa por apontar os verdadeiros erros do Governo e construir uma alternativa credível.

Perante os conselheiros, Rui Rio admitiu que esta estratégia até poderá sofrer várias derrotas – “podemos perder à primeira, podemos perder à segunda, à terceira, à quarta, à quinta”, disse -, mas manifestou-se convicto de que um dia os portugueses “perceberão a diferença entre quem age assim e quem age de forma antagónica”.

Questionado se o PSD dará esse tempo a Rui Rio, Morais Sarmento salientou que o foco são as eleições do próximo ano.

É para 2019 que estamos a trabalhar e é em 2019 que queremos ganhar”, disse o vice-presidente social-democrata.

Morais Sarmento salientou que, nas últimas eleições, também se atribuía a vitória ao PS, que acabou por não acontecer.

Questionado se a vitória nas próximas eleições legislativas não será decisiva para a continuidade de Rui Rio, Morais Sarmento respondeu invocando a máxima do fundador de Francisco Sá Carneiro, que primeiro está o país e só depois o PSD.

Não é no momento da nossa vitória que estamos a pensar, é na maneira de melhor garantir nas próximas eleições aos portugueses que têm uma alternativa séria e com futuro”, assegurou.