A deputada do Bloco de Esquerda (BE) Joana Mortágua afirmou este sábado que a geringonça “não é uma fama” atrás da qual o PS se possa esconder, enquanto "continua com os negócios do costume”.

A geringonça não é uma fama atrás da qual o PS se possa esconder enquanto continua com os negócios do costume, nem um espírito que ilumina e torna aceitáveis orçamentos que não o são porque não servem o país”, declarou a deputada e dirigente do BE, na XII Convenção do partido, em Matosinhos.

A bloquista considerou que o BE tem um projeto que "devolve o controlo democrático" sobre bens estratégicos, que põe a banca "na ordem" e que assume o investimento público e "protege o emprego" e advertiu que se engana quem apostou que o Bloco trocaria política por lugares no Governo.

O BE é o “projeto socialista que faz o curto-circuito” na ligação entre desigualdades, privilégios e crescimento de extrema-direita, ressalvou.

Sim, há uma ligação entre desigualdades, privilégios e crescimento de extrema-direita e, está aqui o projeto socialista, que faz o curto-circuito nessa ligação”, frisou Joana Mortágua.

Na opinião da bloquista, 22 anos depois as “elites deste país” ainda não compreendem o BE e o que é que tem que “baralha tanto os donos disto tudo”.

(...) quando em 2015 a Catarina (Martins) desafiou o António Costa ficaram à toa, quando negociamos a geringonça ficaram desorientados, quando mantivemos a palavra não perceberam, quando o PS insistiu num orçamento que não respondia à aflição do país e votamos contra, não estavam à espera”, reforçou.

Não é imprevisibilidade, mas sim autonomia, alertou a deputada, acrescentando que o “que eles não sabem e não aceitam” é a autonomia do projeto socialista do BE, recusando "chantagens" ou tentativas de "condicionamento".

Na sua intervenção na Convenção bloquista, o deputado José Soeiro acusou o PS de ter “um tabu sobre o trabalho”.

O PS proclama querer construir soluções à esquerda mas não aceita tocar no legado da ‘troika’ no Código do Trabalho, não aceita mexer em nada de estrutural das relações de força entre os trabalhadores e o patronato”, criticou.

E considerou também que “nos novos temas, nas novas vias de exploração e de precarização, há uma clivagem na qual o PS só parece disponível para convergir com a direita”.

O Bloco apresenta-se a esta convenção no mesmo lugar, não desistimos de nada, travamos todas as batalhas, fazemos todos os diálogos e temos um compromisso fiel e uma bússola: a nossa gente, quem vive do seu trabalho, são eles e elas o critério permanente de todos os nosso votos no parlamento, mas mais do que isso, são eles e elas a nossa razão de ser”, sublinhou o deputado.

Na sua intervenção, José Soeiro aproveitou ainda para criticar os donos da explorações agrícolas em Odemira, que “fingem que [a situação dos migrantes] não é nada com eles” e “continuam impunemente a não serem responsabilizados pela violação grosseira dos direitos laborais e dos direitos humanos daqueles trabalhadores”.

. / CE