O Bloco de Esquerda (BE) defendeu esta segunda-feira que não são os comportamentos individuais que explicam os novos surtos, mas sim o contexto socioeconómico, que é determinante para a saúde, pedindo que seja investigada a incidência de Covid-19 por estrato económico.

O deputado Moisés Ferreira foi quem falou aos jornalistas pelo BE à saída da oitava reunião no Infarmed, em Lisboa que junta especialistas, políticos e parceiros sociais para analisar a situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal.

Tem de se olhar para os novos casos percebendo uma coisa muito simples: a saúde é determinada também, e se calhar principalmente, pelo contexto socioeconómico”, defendeu.

Para os bloquistas, desta reunião, saí que, “do ponto de vista de comportamentos individuais não há diferenças de comportamentos entre, por exemplo, a região Norte e a região de Lisboa e Vale do Tejo”.

Não são os comportamentos individuais que estão a explicar o aparecimento de novos surtos, são sim contextos específicos, em que determinadas populações, geralmente as mais pobres, as mais precarizadas, estão a viver”, apontou.

Assim, para controlar esta doença, na perspetiva de Moisés Ferreira, é necessária intervenção política “no contexto socioeconómico”, o que passa por “garantir habitação, transportes com o máximo de segurança e regras nas empresas de trabalho temporário”.

O BE fez algumas questões sobre os dados porque há alguma caracterização de caso que precisava de dados mais finos. Sabemos dos novos casos que o principal tipo de transmissão foi coabitante e foi laboral, mas nós precisávamos de saber como”, adiantou.

Os bloquistas solicitaram aos especialistas que começasse a ser investigado um novo dado, ou seja, “a incidência por estrato socioeconómico”.

Eu diria que as pessoas mais pobres estão em maior risco, mas é preciso saber os novos casos em que estrato socioeconómico é que eles se inserem”, justificou.

Segundo Moisés Ferreira, “tanto na região Norte como na região de Lisboa e Vale do Tejo, os comportamentos da população no desconfinamento, no seu geral, foram semelhantes”.

Não parece ser nem fruto do desconfinamento nem fruto do comportamento individual ou da irresponsabilidade hipotética que estão a aparecer surtos e novos casos em Lisboa e Vale do Tejo. O que acontece sim é que existem contextos, surtos que estão a ser identificados por exemplo em contexto laboral, que faz com que determinadas populações estejam em maior risco de contágio”, afirmou.

Em Portugal, morreram 1.485 pessoas das 34.885 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde. 

. / AG