O presidente do CDS-PP anunciou esta terça-feira que o partido vai voltar a votar favoravelmente a renovação do estado de emergência, mas alertou para a necessidade de o país não andar "aos avanços e aos recuos".

O que estamos neste momento a discutir é o estado de emergência para as próximas duas semanas, que o CDS votará favoravelmente", afirmou Francisco Rodrigues dos Santos em declarações aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa, depois de uma audiência por videoconferência com o Presidente da República.

O líder centrista salientou que "a prioridade é salvar vidas" e recomendou ao Governo "a máxima prudência na reabertura da atividade económica.

Questionado sobre as declarações do primeiro-ministro, que afirmou partilhar o entendimento do Presidente da República no sentido de haver estado de emergência enquanto decorrer o processo de desconfinamento, alegando que todos os passos têm de ser dados com segurança jurídica, o presidente do CDS-PP indicou que o partido fará essa avaliação "a cada 15 dias" segundo o "balanço da situação epidemiológica do país".

O CDS tem tido uma postura responsável desde o início da pandemia, nós privilegiamos as prudências, as cautelas e um gradualismo na abertura da economia e da sociedade, nomeadamente nesta altura em que urge colocar em cima da mesa a necessidade de o desconfinamento correr bem para não perdermos o verão para o setor do turismo e da restauração, o que seria uma verdadeira catástrofe", defendeu.

O centrista pediu também ao Governo que tenha uma comunicação "baseada em critérios de rigor, de transparência e de clareza para não emitir sinais contraditórios e entrar em incoerência" e que "as medidas vão em encontro da situação epidemiológica para que não se cometa os mesmos erros, para que o Governo planeie, que não ande constantemente a correr atrás do prejuízo e para que os portugueses compreendam que os sacrifícios que estão a fazer são necessários e não deitam por terra todos os esforços que fizeram até aqui".

Porque se nós andarmos aos avanços e aos recuos, isso terá uma consequência muito grave na nossa sociedade porque, como se vê, já há uma grande fadiga por parte das pessoas e uma saturação em acatar estas mesmas medidas", argumentou.

Quanto à evolução da pandemia de covid-19, Francisco Rodrigues dos Santos assinalou uma "tendência decrescente no número de casos", mas considerou que "os riscos estão a aumentar", nomeadamente a transmissibilidade do vírus, a mobilidade da população, além incidência na população ativa e da incidência da variante britânica.

O líder democrata-cristão defendeu ainda a necessidade do aumento da testagem PCR, a "única que permite detetar as novas variantes altamente perigosas do vírus", e considerou "urgente reforçar o controlo fronteiriço".

A Assembleia da República vai debater e votar na quinta-feira o projeto de decreto presidencial para a renovação do estado de emergência por novo período de 15 dias, com efeitos a partir de 1 de abril e que abrangerá o período da Páscoa.

PAN preocupado com atraso na vacinação

O porta-voz do PAN declarou esta terça-feira que o seu partido vai voltar apoiar a renovação do estado de emergência devido à pandemia de covid-19, mas sublinhou a preocupação com os atrasos na vacinação dos portugueses.

Relativamente à renovação do estado de emergência, nós vamos acompanhar porque, pese embora estarmos num plano de desconfinamento, carece ainda de medidas legitimadas por cobertura legal e constitucional. É um procedimento que termos de manter. Esperemos que, daqui por 15 dias, as medidas que tenham de ser aplicadas já não necessitem dessa cobertura jurídica”, disse André Silva.

O deputado do PAN falava aos jornalistas nos passos perdidos do parlamento após audiência virtual com o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, e de mais uma sessão de esclarecimento sobre a situação epidemiológica em Portugal por parte de especialistas vários, no Infarmed.

Há uma preocupação da parte do PAN relativamente ao plano de vacinação que está bastante atrasado: apenas um milhão de primeiras tomas, meio milhão de vacinas consumadas. No caso em concreto da faixa etária 40-60 anos, ela está bastante desprotegida e é importantíssima para a imunização de grupo”, salientou, defendendo ainda o alargamento da testagem e do rastreamento.

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