O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, avançou esta sexta-feira que o confinamento geral deverá voltar em Portugal, tal como em abril.

O Governo comunicou, de urgência, aos parceiros sociais, o regresso de medidas mais restritivas, no âmbito da pandemia de covid-19. Em causa está também o "possível" encerramento da restauração e comércio.

Não entrámos em detalhe sobre o tipo de restrições, mas acho que aquilo que devemos ponderar como plausível é o quadro que vigorou durante o mês de abril, ou o quadro que vigorou durante a primeira quinzena do mês de maio", afirmou o ministro.

Relembrou ainda que são situações em que o Governo manteve a indústria, a construção civil a funcionar e todo o retalho alimentar a funcionar, mas manteve o pequeno comércio não-alimentar encerrado.

Desta forma, Siza Vieira avançou que o Governo está a ponderar a hipótese de "medidas mais restritivas da mobilidade da população", com vista a travar a evolução da pandemia nos últimos dias.

Esta é uma situação de preocupação", considerou Siza Vieira.

O ministro justifica esta opção com o aumento do número de casos diários e a tensão que a pandemia está a exercer sob o Serviço Nacional de Saúde.

"Parece-nos evidente a necessidade de encontrarmos um modelo de contenção maior da mobilidade dos portugueses e, com isso, da probabilidade de contactos e de redução de contágios. Neste momento, por isso, parece ao Governo que a simples manutenção das medidas que estão em vigor não será suficiente para assegurar a contenção do ritmo de crescimento de novos casos que temos pela frente", afirmou o Siza Vieira.

O governante disse ainda que um novo confinamento não deverá implicar o encerramento das escolas, cenário que o primeiro-ministro, António Costa, já tinha afastado na quinta-feira, no final da reunião do Conselho de Ministros.

Governo vai reforçar os apoios a trabalhadores independentes e sócios-gerentes

As empresas que tiverem de encerrar no âmbito das novas restrições poderão aceder ao regime do ‘lay-off’ simplificado que neste momento permite o salário a 100% pagando o empregador “apenas 19% desse salário” e estando isento da Taxa Socia Única (TSU), disse Siza Vieira.

Por sua vez, o programa Apoiar prevê um apoio a fundo perdido “que agora vai ser majorado”, disse o ministro, acrescentando esperar que, para as empresas que já receberam o primeiro pagamento e para as que venham a apresentar candidaturas o valor dos apoios possa ser reforçado.

Durante a próxima semana aprovaremos e publicaremos a portaria de alteração ao programa Apoiar para contemplar estas alterações”, assegurou o ministro da Economia, lembrando que as empresas podem ainda aceder ao apoio à retoma progressiva da atividade.

Siza Vieira acrescentou que o Governo vai “reforçar os apoios a trabalhadores independentes e sócios-gerentes” afetados pelas novas medidas.

Também presente na conferência de imprensa, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurabça Social, Ana Mendes Godinho, explicou que, no caso dos "trabalhadores independentes, sócios-gerentes e trabalhadores do serviço doméstico" que fiquem com a atividade suspensa, será retomado o apoio que esteve em vigor em abril ou maio, uma medida excecional que vigorará "apenas enquanto durarem estas medidas mais restritivas".

Por sua vez, a regulamentação do novo apoio extraordinário previsto no Orçamento do Estado que "é transversal a quem perder rendimentos em 2021" estará operacional "no final de janeiro", disse a ministra, lembrando que este apoio é sujeito a condição de recursos.

Quanto à evolução da pandemia de covid-19, o ministro da Economia considerou que este é um momento “de preocupação”, sendo preciso reduzir o número de contágios que está “muito elevado”.

"Aquilo que pretendemos é um momento de travagem", sublinhou Siza Vieira, acrescentando que tudo aponta para uma "duração mais curta" das novas medidas restritivas face às que foram tomadas em março, abril ou maio.

Questionado sobre se as medidas serão diferenciadas tendo em conta os níveis de contágio, o ministro disse que essa questão ainda não está fechada, mas afirmou que "muito provavelmente será feito um apelo a todos os cidadãos do país" para que reduzam os contactos e a mobilidade "ao mínimo indispensável".

Rafaela Laja