O Presidente da República falou este sábado sobre a atual situação de covid-19 em Portugal, numa altura em que o país se prepara para uma segunda fase de reabertura da sociedade, que acontece na segunda-feira.

Congratulando-se com os dados da vacinação nos lares, que está praticamente completa, Marcelo Rebelo de Sousa deixou uma palavra às pessoas que para isso contribuíram: "Por todos os lares de todas as instituições, viveram este ano e um mês de forma ainda mais intensa e mais difícil que muitos outros portugueses".

Sobre o processo de reabertura, e anunciando que vai visitar uma escola e um centro de dia na próxima semana, o chefe de Estado lembrou as "preocupações" que tem: "Uma chama-se, ainda, pandemia, e apelo novamente aos portugueses, no fim de semana de Páscoa, que façamos tudo o que está ao nosso alcance para que o R e o número de casos não subam".

O mês de abril é essencial para que não hajam recuos, que seriam dramáticos para todos nós. Há razões para acreditar que não existirão esses recuos se esta abertura for feita tendo em conta os passos a dar, num momento em que a vacinação vai ter um salto decisivo", vincou.

A segunda preocupação do Presidente da República é a crise económica e social, que, em muitos casos, decorre da pandemia. Lembrando os que estão em situação mais difícil, reiterou que "abril tem de correr bem", para que depois se possa olhar para "os que mais sofrem na sociedade portuguesa".

Questionado sobre o atual valor do índice de transmissibilidade (Rt), que está em 0,97, Marcelo Rebelo de Sousa insistiu na necessidade de não existirem recuos no desconfinamento.

Recorde-se que o Rt, em conjunto com a incidência, é um dos fatores decisivos na matriz de risco definida pelo Governo, que decidiu limitar a 1 esse valor, ainda que tenha deixado a porta entreaberta para outros cenários.

Queremos que o estado de emergência possa vir a terminar, que a economia possa abrir e que a vida das pessoas possa normalizar. Nem penso no que seria, para mim e para todos, termos qualquer recuo", afirmou.

Ainda sobre a transmissibilidade e a incidência, o Presidente da República pediu que se deitasse um olhar ao que se passa na Europa, onde muitos países estão votados a novos confinamentos. Desta forma, Marcelo Rebelo de Sousa insiste na necessidade de se evitar uma nova vaga em Portugal, que em janeiro chegou a ter mais de 300 mortes e 16 mil casos num dia.

O Presidente chamou a atenção para o facto de Portugal ser um “país envelhecido e que está a envelhecer e precisa de suporte social”.

Nas recentes e bem equipadas instalações do Lar Quinta Alegre, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Marcelo foi tirando “selfies” e conversando com a comunidade de utentes e funcionários, já totalmente vacinada e encontrou, embora em isolamento profilático e, portanto, à distância, o colunista e crítico cultural Augusto M. Seabra.

A Presidência da República distribuiu ainda pastéis Belém aos 64 utentes (58 permanentes e seis temporários).

A unidade de cuidados de saúde tem 10 apartamentos, 27 quartos duplos e oito individuais, com capacidade máxima para 75 utentes permanentes. Há ainda 14 vagas de residência temporária, que podem ser ocupadas também por cuidadores informais.

António Guimarães