A ministra da Saúde apelou, nesta terça-feira, à manutenção das medidas de prevenção da covid-19, como o teletrabalho, e ainda de saúde pública, duas semanas depois de ter iniciado a primeira fase do plano de desconfinamento e numa altura em que o Rt subiu para 0,89.

Tornou-se claro que a mobilidade está a aumentar e a menor utilização do teletrabalho e, portanto, há a necessidade de um novo apelo ao cumprimento das medidas de prevenção, das medidas de saúde pública, no sentido da manutenção, o mais possível e sempre que possível, do teletrabalho e na manutenção da restrição dos contactos sociais ao mínimo indispensável", disse Marta Temido, após a reunião quinzenal de especialistas no Infarmed sobre a situação epidemiológica em Portugal.

Nos últimos cinco dias o índice de transmissibilidade da doença subiu para 0,89, sendo que no último dia de análise, 17 de março, chegou aos 0,92, ligeiramente abaixo do limite de 1 fixado pelo governo para reavaliação das medidas de desconfinamento.

O vírus continua a estar presente no espaço europeu”, afirmou, lembrando que, por isso, não podem ser aliviadas as medidas de prevenção.

Marta Temido disse que, neste momento, corre a favor de Portugal "o reforço da estratégia de testagem", com vários rastreios a nível nacional, nomeadamente nas escolas.

A ministra também sublinhou as novas metas do programa de vacinação, nomeadamente o facto de dentro de 15 dias mais de um milhão de portugueses ter recebido a primeira dose da vacina e meio milhão completado o processo, com a toma da segunda dose, além de 80% da vacinação completa em pessoas com mais de 80 anos até ao final da semana.

No entanto, a subida do Rt é para ter em conta, bem como a possibilidade de recuo no desconfinamento.

Tendo em conta o contexto europeu, relativamente ao qual Portugal está em contraciclo, com o risco efetivo [de transmissibilidade] a aumentar, ainda que a níveis abaixo de 1 e num contexto de prevalência da variante inglesa de 70%, deveremos manter atenção elevada e especial precaução relativamente à forma como abordamos as próximas semanas”, observou.

É preciso, por isso, manter o índice de transmissibilidade controlado.

Se não acontecer corremos o risco de não andar para a frente ou de ter de voltar para trás. Esperamos conseguir manter os níveis de risco de transmissão e, sobretudo, de incidência que permitam continuar a progredir. Mas temos de estar atentos e isso envolve todos”, concluiu Marta Temido.

 

Catarina Machado