O BE considerou hoje que a “narrativa do Governo” sobre os transportes em tempos de pandemia “não cola com a realidade sentida por milhares de pessoas”, criticando “a confusão no seio" do executivo sobre esta matéria.

O BE agendou para o plenário de hoje uma interpelação ao Governo sobre "a resposta à covid-19 na Grande Lisboa nos transportes e na habitação", que conta com a presença do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

“Temos dito muitas vezes que não se pode deixar ninguém para trás e da parte do BE dizemo-lo a sério. Os novos surtos, nomeadamente na região de Lisboa, não resultam de haver quem tenha transformado o desconfinamento numa espécie de farra ou de desacato individual aos conselhos da DGS. Resulta, em muitos casos, de condições de trabalho, de habitação e de transporte de pessoas que trabalham em profissões que nunca tiveram sequer o direito de confinar”, apontou a deputada do BE Isabel Pires na abertura do debate.

Na perspetiva da bloquista, “a confusão no seio do Governo também não ajuda em nada”, dando o exemplo das declarações de hoje da ministra da Saúde, Marta Temido, quando disse que “a falta de distanciamento nos transportes públicos não está associada a casos identificados” ou do seu secretário de Estado, António Sales, que no dia 29 de junho “dizia que a situação nos transportes públicos poderia ser motivo de preocupação”.

“Esta narrativa do governo não cola com a realidade sentida por milhares de pessoas. Além de que desvaloriza um problema grave que não pode ser desvalorizado”, criticou.

Assim, Isabel Pires pergunta se “vai mesmo o Governo continuar a ignorar isto e insistir que a solução é mais fiscalização e multas”.

“Antes disso é urgente dar todas as condições para que as pessoas se possam deslocar. Está ou não disponível o Governo para acautelar alternativas que desdobrem o serviço oferecido”, questionou.

/ PP