O Presidente da República apelidou esta sexta-feira de "Via Sacra" o plano de vacinação contra a covid-19 na União Europeia. Questionado sobre nova polémica com a vacina da AstraZeneca, Marcelo Rebelo de Sousa foi perepmtório: "De 15 em 15 dias descobre-se mais um problema. Ou é no fornecimento, ou questões de análise, têm surgido várias questões".

O chefe de Estado mostrou desta forma a preocupação perante o processo, numa altura em que a vacina da AstraZeneca volta a estar debaixo de fogo na União Europeia, depois de terem sido detetados casos de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas.

Há necessidade de vacinar, de ter vacinas, e o fornecimento está a ser afetado por estes problemas", referiu, falando numa "situação incómoda.

Falando de dúvidas periódicas, Marcelo Rebelo de Sousa pediu uma posição unida, referindo os vários Estados-membros da União Europeia que tomam medidas unilaterais relativamente à vacina.

Concretamente sobre Portugal, o Presidente da República lembrou que várias vacinas da AstraZeneca foram usadas.

Porque há uma Agência Europeia do Medicamento (EMA) que diz de sua justiça acerca da validade e da eficácia das vacinas e depois surgem dúvidas periodicamente aqui e acolá e os Estados reagem de forma diferente perante essas dúvidas, o que, tenho de admitir, perturba as opiniões públicas", disse.

Sobre o plano de vacinação português no global, o chefe de Estado espera que "seja rápido" o processo de reavaliação da vacina da farmacêutica anglo-sueca, lembrando que o produto é essencial para a estratégia do mês de abril, considerado fulcral no combate à pandemia.

O Presidente da República afirmou esperar que o estado de emergência termine no final de abril, após uma última renovação, e dê lugar a "uma boa onda".

Vamos ver. Depende de todos nós", considerou o chefe de Estado, que falava aos jornalistas durante uma visita ao Centro Social Polivalente de São Cristóvão e São Lourenço, em Lisboa, para assinalar o Dia Mundial da Saúde.

Questionado sobre os dados da evolução da covid-19 em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou que "abril é um mês decisivo" e realçou que "há uma parte que passa pelas pessoas, o que é que as pessoas fazem, o tipo de convívio que têm, a criação ou não de condições para que o desconfinamento seja suave e progressivo", sem "sobressaltos" indesejáveis.

Depois, referiu que "para a semana haverá mais um momento de reflexão sobre a renovação do estado de emergência e, portanto, haverá uma sessão epidemiológica e haverá a audição dos partidos políticos e haverá uma decisão sobre essa renovação".

Se me perguntam o que eu mais desejaria, eu desejaria que fosse a última renovação do estado de emergência, coincidindo com o fim do mês de abril. Verdadeiramente, era a minha vontade e penso que é a vontade de todos os portugueses", afirmou.

O Presidente da República decretou o estado de emergência em pela 14.ª vez no atual contexto de pandemia de covid-19 em 25 de março, com efeitos entre 01 e 15 de abril. Uma próxima renovação por mais 15 dias irá vigorar entre 16 e 30 de abril.

Para a semana temos mais números e vamos ver se corre bem até esse momento de decisão e se depois correm bem os 15 dias seguintes, porque isso significaria correr bem o mês de abril e podermos entrar em maio numa outra onda, uma boa onda - não é uma quarta vaga negativa, era uma boa onda, uma onda positiva. Vamos ver", acrescentou.

António Guimarães