O PCP saudou hoje a “anulação das sentenças” ao ex-presidente brasileiro Lula da Silva, que é “motivo de ampla satisfação para todos quantos defendem a liberdade, a justiça e a democracia.

Os comunistas afirmam, em comunicado, esperam que “seja integralmente reposta a justiça neste processo e responsabilizados aqueles que, com os seus atos à margem da lei, caucionaram a ação golpista e antidemocrática, profundamente atentatória dos direitos e interesses do povo brasileiro”.

Na leitura do PCP, a decisão do tribunal “confirma a evidente motivação política do processo da Lava-Jato” e a “sua indissociável articulação com o golpe de Estado institucional levado a cabo no Brasil com o afastamento, ilegítimo e escandaloso, da presidente eleita Dilma Rousseff, em 2016”.

Essa “ação golpista” levou, na opinião dos comunistas, “à condenação de Lula da Silva e à sua prisão durante 580 dias”, impedindo “a sua participação nas eleições presidenciais de 2018”.

E deu azo a uma vasta campanha de difamação e calúnia contra as forças de esquerda brasileiras, contribuindo para a eleição de Bolsonaro e o desenvolvimento do programa reacionário que este protagoniza a partir da presidência do Brasil”, lê-se no comunicado.

O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro anulou na segunda-feira todas as condenações do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Justiça Federal no Paraná, relacionadas com as investigações da Operação Lava Jato.

Lançada em 2014, a agora extinta operação Lava Jato trouxe a público um enorme esquema de corrupção de empresas públicas, como a Petrobras, implicando dezenas de altos responsáveis políticos e económicos, e levando à prisão de muitos deles, como o antigo Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão do tribunal não quer dizer que o antigo chefe de Estado brasileiro tenha sido inocentado já que os processos serão remetidos para a justiça do Distrito Federal, que vai reavaliar os casos e pode receber novamente as denúncias e reiniciar os processos agora anulados, mas volta a ser elegível e recuperou seus direitos políticos.

Lula, 75 anos, que governou o Brasil entre 2003 e 2010, chegou a cumprir 580 dias de prisão, entre abril de 2018 e novembro de 2019 e, desde então, o ex-presidente recorre da sua sentença em liberdade condicional.

/ JGR