A ministra da Saúde admitiu em entrevista à Revista Visão que o Governo planeou a gestão da crise covid-19 para um limite que não está a ser aquele experienciado atualmente, mas rejeita uma situação de desnorte legislativo.

Nós planeámos para um limite que não foi este que estamos a ser confrontados", afirmou à Visão, que sairá esta quinta-feira nas bancas.

Questionada sobre as mudanças respetivas ao novo confinamento, nomeadamente a interrupção de toda a atividade letiva, Marta Temido sublinha que não considera a opção um sinal de "desnorte", mas afirma que, em política, é sempre "difícil ter de se inverter um caminho".

Sabemos bem o impacto social que isso tem e o verificámos um retrocesso dos mais pequenos com o encerramento das escolas no ano letivo passado. Tentou-se desesperadamente evitar essa realidade, é uma situação de impotência, há momentos em que os governantes se sentem impotentes", diz.

Marta Temido acredita que o Governo fez bem em assumir que não estava a ir no caminho certo, relativamente ao não encerramento das escolas, mas destaca que existiram momentos em que pensou que o estado atual da pandemia não seria possível em Portugal: "Quantas vezes entre nós não dizemos que nunca pensámos que isto fosse acontecer, vermo-nos confrontados com tal situação de necessidade de profissionais e de recursos".

É uma dinâmica que nos deixa muito indefesos, infelizmente não temos uma bola de cristal, se soubéssemos tudo o que sabemos hoje tínhamos feito as coisas de forma diferente", sentencia.

A ministra da Saúde acrescentou ainda que a previsão é que o pico de infeções no Norte, no Centro e no Alentejo tenha acontecido na semana anterior e que, em Lisboa e Vale do Tejo, o mesmo esteja a acontecer agora. "Primeiro diminui os internamentos, depois os casos positivos e os óbitos", ressalva.

Na mesma linha, Temido anuncia esperar que esta semana ainda exista muita pressão no internamento de doentes não críticos, uma realidade esperada também nas próximas duas semanas de fevereiro.