O presidente do PSD considerou hoje que a principal responsável pelo agravamento do défice em mais de seis mil milhões de euros no primeiro semestre “é a pandemia”, reiterando que não é oposição para “dizer mal de tudo”.

À margem de uma reação sobre notícias relativas ao Novo Banco, na sede nacional do PSD, em Lisboa, Rui Rio foi questionado sobre o agravamento do défice das contas públicas portuguesas em 6.122 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, atingindo os 6.776 milhões devido aos efeitos da pandemia de Covid-19, valores conhecidos na segunda-feira.

Infelizmente aqui, pode haver responsabilidade política, mas a principal responsabilidade é da pandemia. Eu tenho dito muitas vezes que eu não sou oposição para atirar a tudo o que mexe e dizer mal de tudo”, afirmou.

Rui Rio disse estar “obviamente muito preocupado” com estes valores do défice, mas acrescentou que já estava à espera que fosse “muito mais elevado do que estava programado e ainda pior do que o projetado pelo Governo”.

Reconheço que não é fácil fazer previsões no quadro desta instabilidade toda que temos”, disse, escusando-se a adiantar qual seria a posição do PSD caso o Governo tivesse de apresentar um novo Orçamento Retificativo, que ainda nem se sabe se será necessário.

De acordo com o Ministério das Finanças, a execução orçamental “evidencia os efeitos da pandemia da Covid-19 na economia e nos serviços públicos na sequência das medidas de política de mitigação".

O ministério assinala ainda que contribuindo para o défice de 6.773 milhões de euros no semestre "destaca-se a redução da receita fiscal e contributiva em resultado da diminuição acentuada da atividade económica provocada pelo período mais intenso de recolhimento e de utilização do lay-off".

Esses efeitos, até ao primeiro semestre, justificam uma degradação do saldo de pelo menos 3.733 ME [milhões de euros]", pode ler-se no comunicado hoje enviado às redações, que atribui menos 2.423 milhões de euros "por via da quebra da receita" e mais 1.310 milhões de euros "por via do crescimento da despesa".

/ BC