O dirigente socialista Daniel Adrião defendeu este sábado que o PS tem de voltar a ser “o grande partido de militantes que já foi” e que as soluções para o país não são encontradas “no conforto dos palácios”.

É preciso que o PS volte a ser o grande partido de militantes que já foi”, disse Daniel Adrião no 23.º Congresso Nacional do PS, ao apresentar a sua moção “Democracia Plena”, no Portimão Arena.

O dirigente socialista, que foi candidato à liderança do PS contra António Costa pela terceira vez, disse que “as melhores soluções” para o país “não são encontradas nem em circuito fechado, nem na clausura dos gabinetes, nem no silêncio dos claustros, nem no conforto dos palácios, nem na sede do antigo império, o Terreiro do Paço”.

É “nas ruas povoadas de gente anónima”, sustentou, que estão as soluções, razão pela qual quer que cada militante do PS seja “um provedor dos cidadãos” e um canal aberto entre as preocupações da população e as decisões do Governo.

Daniel Adrião considerou, por isso, que “impõe-se a construção de um projeto político reformista”, conduzido por uma “agenda progressista” e implementado por “um PS mais aberto e mais plural”.

Na opinião deste membro da Comissão Nacional do PS, não pode haver confusão entre o Estado e o partido e o PS tem de voltar ao que, advogou, era no início: “um PS do povo”.

E na escolha dos representantes do povo também se impõe, prosseguiu, uma “reforma profunda” que se traduza no “voto nominal”.

É preciso, camaradas, um choque democrático que permita aos cidadãos, e não aos diretórios partidários, escolher os seus deputados”, sustentou, acrescentando que é cada vez mais evidente o “divórcio” da população com a política, cujo resultado é o “cancro” da abstenção.

Portugal é “um dos campeões da abstenção” e combater este flagelo passa permitir que seja o povo a “eleger diretamente os seus representantes”.

“Dos 27 países da União Europeia, 24 têm voto nominal”, continuou, exceto “Portugal, Espanha e a Bulgária”, por isso, é “tempo de mudar de rumo”.

António Costa foi reeleito secretário-geral do PS com 21.888 votos dos militantes, representando 94% do total de votantes, em eleições diretas realizadas em junho deste ano, em que teve como adversário Daniel Adrião, que obteve 1.430 votos, correspondentes a cerca de 6%. 

Daniel Adrião foi candidato à liderança do PS contra António Costa também em 2016 e 2018.

/ AG