O líder do PSD e o primeiro-ministro trocaram hoje acusações sobre a responsabilidade dos resultados do relatório PISA 2018, com António Costa a considerar o “debate mesquinho”.

No debate quinzenal, o presidente e líder parlamentar do PSD referiu que até 2015 Portugal “melhorou sempre nos três indicadores” avaliados pelo relatório PISA (sigla inglesa para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgado de três em três anos.

Na semana passada foram revelados os dados de 2018 e, pela primeira vez, os dados degradaram-se: o melhor que conseguimos foi estagnar na matemática, mas piorámos na ciência e na leitura”, apontou.

O líder do PSD acusou ainda o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, de ter desvalorizado a sua responsabilidade nestes resultados, atirando-a para o seu antecessor, Nuno Crato, e para a crise económica vivida nos tempos da ‘troika’.

Se calhar considera que o seu trabalho foi irrelevante, eu considero que foi relevante na degradação”, afirmou, desafiando o primeiro-ministro a dizer se pretende fazer alterações na política educativa.

Na resposta, António Costa disse recusar-se a entrar no “debate mesquinho sobre o contributo de cada Governo” nos resultados do PISA, mas acabou por se referir ao anterior executivo.

“Como todos os cientistas da área da educação e estatística dizem, aquele corte etário que foi agora objeto de avaliação foi influenciado claramente na sua formação pelas políticas do governo que antecedeu o atual”, referiu.

Ainda assim, o primeiro-ministro considerou que o mais relevante é que Portugal seja “o único país” da OCDE que tem desde o início do século uma “evolução sistematicamente positiva”.

“Temos de fazer mais”, admitiu Costa, dizendo que o caminho é continuar a redução de alunos por turma, a universalização do pré-escolar, e dizendo-se contra “uma seletividade por via da eliminação” do sistema educativo.

Na minha avaliação, debate mesquinho é o que o ministro da Educação faz quando sacode toda a responsabilidade de si próprio e atira tudo lá para trás”, respondeu Rio.

O líder do PSD retomou críticas feitas em anteriores debates quinzenais de que o atual executivo baixou o grau de exigência no sistema educativo, o que considera “prejudicar sobretudo os mais desfavorecidos”, sem dinheiro para explicações e outras ajudas.

Segundo este relatório, Portugal está a agravar essas assimetrias, o que mais grave devia ser para um Governo que se diz de esquerda. Hoje em dia, só não mete filho no ensino privado quem manifestamente não tem dinheiro”, afirmou Rio, perante protestos das bancadas da esquerda.

Rui Rio reiterou hoje que “se reprovar é mau, passar sem saber é muito pior”, o que levou Costa a responder-lhe com uma metáfora alusiva ao sistema de ensino.

Desculpe a comparação, mas julguei que entre o debate de há quinze dias e o de hoje tivesse tido oportunidade de, nesta segunda época de exames, perceber que ninguém propôs o fim da avaliação, o fim dos exames, nem essa retórica do desleixo de que fala”, afirmou.

Costa disse ainda que o relatório PISA contraria a visão de que a escola privada tem melhores resultados do que a pública, atribuindo esse ‘slogan’ “às alternativas liberais com que [Rio] tem de disputar a liderança da direita em Portugal”.

/ BC