Catarina Martins (BE) começou a sua intervenção no debate quinzenal, esta quarta-feira, levando para o debate as greves na saúde – médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica.

O que estes profissionais querem é defender o Serviço Nacional de Saúde”, sublinhou a dirigente do BE.

A bloquista afirmou que existem recursos, nomeadamente “800 milhões de euros que estão a ser usados para ir além da meta de défice que estava acordada”. Por isso, Catarina Martins foi perentória: "o ministro da Saúde tem de decidir se quer ser Mário Centeno ou ministro da Saúde". 

O ministro da Saúde já veio reconhecer que as reivindicações são justas, mas diz que não há recursos. Ora não é verdade, nós temos 800 milhões de euros que estão a ser usados para ir além da meta de défice que estava acordada e portanto existem recursos. O que é necessário é se o ministro decida se quer ser Mário Centeno ou ministro da Saúde e o Governo decida se quer ser parte da solução ou do problema."

Na resposta, o primeiro-ministro começou por dizer que "não vale a pena dramatizar a existência de greves porque elas fazem parte da essência da democracia". 

Depois, António Costa corrigiu os números levados pela porta-voz do BE, sublinhando que o Programa de Estabilidade já prevê "um aumento de 350 milhões de euros de aumentos com despesa de pessoal nos próximos anos".

"Não temos uma folga de 800 milhões de euros, o que temos são 800 milhões de euros a menos no défice. A folga que temos é que hoje pagamos menos juros e devemos menos dinheiro e essa folga de 74 milhões de euros, que é o que estimamos ter poupado em juros, vamos aumentar em reforço de verbas. E esse mesmo Programa de Estabilidade prevê um aumento de 350 milhões de euros de aumentos com despesa de pessoal nos próximos anos. Claro que não são 350 milhões só para o SNS (...) são para múltiplos serviços públicos."

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, também falou sobre esta matéria, vincando que "os profissionais de saúde e os utentes merecem uma resposta" do Governo. 

É a estes profissionais que se deve o facto de o SNS ainda dar uma resposta de qualidade, apesar de todos os atropelos a que tem sido sujeito. Os profissionais de saúde e os utentes merecem uma resposta."