A saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo foi um dos temas que marcou o debate quinzenal desta terça-feira, no Parlamento. O líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, acusou o Governo de "viver só dos redimentos da herança que recebeu" e questionou diretamente António Costa: "O primeiro-ministro quer viver só dos redimentos da herança que recebeu ou quer acrescentar valor à sua passagem pelo Governo para projetar o futuro?".

A pergunta suscitou risos de António Costa, mas Luís Montenegro continuou: "O primeiro-minsitro ri-se, mas não se esqueça que recebeu um país a crescer".

O deputado social-democrata salientou o "esforço e a tenacidade dos portugueses" ao longo dos anos da troika e exigiu que o Governo não ponha em causa o sacríficio dos portugueses. 

"Não temos problemas em cumprimentar o Governo. (...) Mas este cumprimento ao Governo envolve uma exigência: é preciso não desbaratar o esforço feito, é preciso crescer e crescer muito mais do que o que crescemos em 2016."

Monetengro disse que "entrar e sair do Procecimento Por Défice Excessivo não é vida" e colocou a questão ao primeiro-ministro: "Qual é a sua grande reforma para alavancar o país nos próximos anos?".

O primeiro-ministro respondeu: "Senhor deputado, nós não vivemos dos rendimentos e da herança. Nós invertemos a herança e estamos a gerar rendimento para o país".

Ainda esclarecendo as questões do deputado, o chefe do Executivo disse que as reformas que o país precisa são "os seis eixos" do Programa Nacional de Reformas do Governo.

"Não é um texto filosófico, mas uma estratégia. (...) são as verdadeiras reformas que consideramos essenciais para mudar o perfil da nossa economia", vincou António Costa.

E não perdeu a oportunidade para deixar farpas à direita e ao anterior Governo PSD/CDS.

"As reformas que a sua bancada gosta são as que fazem parte da cartilha que conduziu o país ao impasse: aumentar a precarização, o empobrecimento coletivo... (...) O nosso modelo de desenvolvimento não passa pelo empobrecimento coletivo", frisou Costa.

 

CDS nota que foi possível crescer sem revogar medidas da direita

Assunção Cristas, do CDS, disse, por sua vez, que é preciso fazer "orçamentos realistas e não orçamentos que vivam de cativações e de cortes brutais no investimento público."

A líder centrista alegou que foi possível o crescimento sem revogar algumas das medidas implementadas pelo anterior Governo PSD/CDS e sem renegociar a dívida

"Reconhece que foi possivel crescer sem reestruturar a dívida? Reconhece que este crescimento foi feito à conta das exportações?".

Ao que o primeiro-ministro respondeu: 

"Nunca me ouviu dizer que havia uma contradição entre finanças públicas sólidas e crescimento, pelo contrário. Não há contradiçao nenhuma em dizer que as exportações são necessárias ao crescimento e deve ser dada prioridade à reposiçao de rendimentos. (...) Mas não é necessário empobrecer e fazer uma política de baixos salários para que as nossas empresas sejam competitivas."

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