Carlos Moedas acusou, durante o seu primeiro frente-a-frente, Fernando Medina de fazer uma má gestão do planemento das ciclovias em Lisboa, reiterando que, se for eleito, a pista na avenida Almirante Reis "é para acabar".

"Já mudou quatro vezes", justificou, destacando que tomada de posição não tem nada a ver com uma alegada aversão a bicicletas. "Eu gosto de andar de bicicleta, andei de bicicleta em Bruxelas durante anos, mas precisamos de ciclovias bem feitas", disse, acrescentando que muitas sofrem de um declive de 11% e aponta o caso concreto da Avenida de Berna, que "entra para cima do passeio". 

"Alguém em Lisboa põe um filho de 14 ou 15 anos a ir de bicicleta para a escola?", acusando o autarca de criar estruturas perigosas.

Propondo a gratuitidade dos trasportes públicos para jovens até aos 23 anos e idosos, Moedas afirmou que Lisboa tem um dos piores serviços de mobilidade pública.

"Morreram 26 pessoas nas ciclovias em Lisboa, em 2019", aponta Moedas, mas Medina desvaloriza a credibilidade: "Carlos, por amor de Deus. Confirme esse número e confirme também o valor dos passes".

O valor dos passes para os transportes públicos foi, de resto, um ponto onde os dois colidiram ideias. Medina afirma que foi responsável por uma mudança drástica no custo dos passes sociais, mas Carlos Moedas não concorda. "Sabe em que valor estavam anteriormente'", questionou o autarca, com Medina a sublinhar que não está no debate para responder às perguntas do recandidato.

Medina, no entanto, nega que tenha existido falta de planeamento e explica que, no caso da Almirante Reis, a ciclovia foi provisória e adaptada "não quatro, mas uma única vez".

"O problema de Carlos Moedas é que adotou a agenda automóvel e, portanto, quer passar como se fosse moderninho. Um camaleão. Quer estar bem com Deus e com o Diabo, mas sabe que isso em política não funciona", acusa.

Concorrem à presidência da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (coligação PS/Livre) Carlos Moedas (coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), Beatriz Gomes Dias (BE), Bruno Horta Soares (IL), João Ferreira (CDU - coligação PCP/PEV), Nuno Graciano (Chega), Manuela Gonzaga (PAN), Tiago Matos Gomes (Volt), João Patrocínio (Ergue-te), Bruno Fialho (PDR), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!) e Ossanda Líber (movimento Somos Todos Lisboa).

O executivo de Lisboa é atualmente composto por oito eleitos pelo PS (incluindo dos Cidadãos por Lisboa e do Lisboa é muita gente), um do BE, quatro do CDS-PP, dois do PSD e dois da CDU.

As eleições autárquicas realizam-se em 26 de setembro.