Já se esperava que a avaliação dos professores se tornasse uma espécie de debate aparte esta quinta-feira. E assim foi, com José Sócrates a apelar à negociação e a oposição à suspensão do actual modelo.

Programa do Governo em debate (vídeo)

Ministra sobre avaliação: «Vamos chegar a uma solução»

«A ministra da Educação [Isabel Alçada] tomará de imediato a iniciativa do diálogo com os sindicatos representativos dos professores. Com abertura de espírito, mas também sendo o que quer e o que não quer», anunciou o primeiro-ministro.

«O Governo deseja um diálogo com resultados, que recolha os ensinamentos da experiência dos professores e das escolas, que tire partido do trabalho que foi feito e que está em curso, que atenda aos pareceres técnicos, que aproxime posições e que identifique os aperfeiçoamentos necessários a introduzir para o futuro», acrescentou.

Com Manuela Ferreira Leite a ignorar o tema, coube a Paulo Portas tomar as rédeas da oposição, com várias questões colocadas: «Aceita uma avaliação, em vez de burocrática, simples, que tenha apenas um relatório de base? Aceita uma avaliação só depois de terminar o ano escolar? Aceita uma avaliação que não relacione a progressão na carreira com as notas dadas ao aluno? Aceita um mediador hierárquico, que seja a avaliação pedagógica da escola que avalia os professores? Pode haver carreira única?»

Para o líder do CDS-PP, o Governo não se pode «limitar a suspender o processo» de avaliação, tem de «indicar um caminho e balizá-lo». «Substitua o que não está bem por algo melhor», recomendou.

Fugindo às respostas específicas, Sócrates não deixou, no entanto, de esclarecer a posição do ministério de Isabel Alçada: « Suspender a avaliação neste momento era apenas irresponsável. A solução é reflectirmos sobre como fazer uma nova avaliação, mas devemos levar esta até ao fim

«Estou sempre disponível para melhorar, para dialogar. O que não é bom é deitar para o caixote de lixo todo o trabalho dos professores e das escolas», disse, referindo que 48 ou 49 mil professores já foram avaliados.

Desafio: primeira lei sobre avaliação

Francisco Louçã propôs à Assembleia da República que a primeira lei aprovada seja «para substituir este modelo de avaliação». «Estamos a perder tempo com uma avaliação que é uma declaração de guerra, incompetente e inconclusiva», criticou.

Na resposta, o primeiro-ministro sacou da proposta do BE em relação à situação dos professores e concluiu: «Isto não é de quem quer construir. O BE, se quer ser construtivo, tem de perceber que seria irresponsável suspender esta avaliação.»

Já Heloísa Apolónia, dos Verdes, considerou esta avaliação «uma aberração» criada para «poupar dinheiro». «Tem de ser eliminada e partir para uma nova avaliação depois de detectar o que está mal e melhorar», afirmou.
Catarina Pereira