Esta quinta-feira, o neoliberalismo e o neosocialismo estiveram frente a frente, num debate na TVI24, e não pouparam nas críticas, quando mais não fosse por viverem em realidades diferentes. Tiago Mayan Gonçalves acusou Ana Gomes de gostar muito de falar sobre corrupção, mas ter andado de "braço dado" com Sócrates. Já a diplomata trouxe Portas à discussão e relembrou o facto de ter denunciado casos como o dos submarinos. 

Mayan Gonçalves deu a entender que Ana Gomes tinha problemas de visão em 2009 quando 'defendeu' o antigo primeiro-ministro, mesmo depois de se saber alguns dos escândalos em que estava envolvido. 

Ana Gomes gosta muito de falar de corrupção, mas tem hipermetropia, que é ver mal ao perto. Em março de 2009, Ana Gomes afirmava: 'Há uma campanha de ataque pessoal a Sócrates'. Em maço de 2009 já se conheciam os casos Cova da Beira, o caso Freeport, já se conhecia a licenciatura tirada ao domingo e Ana Gomes afirmava isto e não se coibia de andar de braço dado com Sócrates". 

Perante estas acusações, Ana Gomes começou por esclarecer o comentário lido pelo candidato liberal: "esse comentário que doutor Mayan leu, foi um comentário que eu fiz quando se soube que os procuradores terão querido fazer 26 perguntas a Sócrates e não as tinham feito. Mais tarde veio-se a saber que tinha havido uma interferência, mas nessa altura era muito estranho que os procuradores tivessem querido fazer perguntas e não as tivessem feito".

"Eu faço denúncias fundamentadas [sobre casos de corrupção]"

Esclarecida a dúvida, a socialista fez questão que não fala apenas de corrupção, mas que também atua sobre ela, dando como exemplo o caso dos submarinos.

Eu faço denúncias fundamentadas que entrego e não me substituo às autoridades de justiça. Entreguei denúncias fundamentadas sobre os submarinos, entreguei denúncias fundamentadas sobre a privatização dos estaleiros de Viana do Castelo, sobre o apagão fiscal. Há uma série de outras questões que eu tenho dado documentos à justiça".

Reforçou dizendo que houve gente condenada na Alemanha, no âmbito da polémica dos submarinos, e que houve multas pagas pelo consórcio que os vendeu a Portugal, por "corrupção de altos quadros do Estado"

Tiago Mayan Gonçalves admitiu que existem problemas de desvirtuação em Portugal, mas lamentou que "todos os paladinos corrupção" só falem dos sintomas e não dos processos. 

O que me preocupa mais é a realidade dos processos que não vemos. E porque é que isto acontece? Porque, por exemplo, temos Estado a mais a ter que carimbar cinco vezes um processo em vez de precisarmos só de um e cada carimbo é uma oportunidade de corrupção". 

Na ótica do neoliberal, como Ana Gomes o intitulou, o facto de o Estado adjudicar obras públicas e gerir fundos europeus, são tudo janelas abertas para casos de corrupção. Enquanto Presidente da República, e ao contrário de Marcelo, teria vetado a lei da contratação pública. Medida que a eurodeputada também defendeu, mas, por seu turno, 'apontou o dedo' aos liberais e propôs como uma solução melhor “não alinhar com os esquemas de desregulação que os liberais sempre defendem e que no fundo é a maior conduta para a desregulação”.

Em realidades completamente, os dois candidatos presidenciais apenas convergiram na condenação das declarações do primeiro-ministro sobre três sociais-democratas.

Cláudia Évora