Ministro da Defesa assegura que não pretende continuar no cargo, mesmo que José Sócrates vença as próximas eleições. Em entrevista ao jornal «i», Nuno Severiano Teixeira admite que pretende regressar à vida académica: «Tenho saudades de dar aulas».

«Entendo a política como um serviço e não como uma carreira. Quando fui solicitado, respondi sempre positivamente. Mas a carreira académica é a minha carreira. E além disso tenho os meus alunos à espera», frisou, acrescentando: «Tive saudades de dar aulas e da disponibilidade para ler e escrever».

Apesar de ser independente, Severiano Teixeira não renega as suas origens e acredita numa nova via. «Sou um socialista liberal. Na conjuntura em que vivemos, pós-Lehman Brothers, criou-se uma grande oportunidade para este espaço político que não teve ainda uma tradução. Agora, é verdade que falhou o ultraliberalismo económico do mercado sem regras, e já antes tinha falhado o estatismo comunista. Há aqui um espaço de esquerda liberal, de esquerda moderna, que tem uma oportunidade para se reconverter ideologicamente», vincou.

Quanto ao reforço da aposta no envio de tropas para o Afeganistão, o ministro da Defesa admite que existem riscos. «As forças militares portuguesas têm dado um contributo notável para a segurança e a paz internacionais. É claro que estas missões envolvem risco. Mas esse risco é avaliado e controlado, de acordo com as informações que tenho dos comandos militares. As tropas portuguesas têm um alto grau de profissionalismo e um alto grau de competência técnica e estão prontas para controlar o risco inerente a este tipo de teatros», referiu.

Depois de Luís Amado, Mário Lino, Alberto Costa, Jaime Silva e Maria de Lurdes Rodrigues, Nuno Severiano Teixeira é mais um dos ministros de José Sócrates a dar sinais de que não pretende continuar no Governo, mesmo que o primeiro-ministro vença as eleições.