António de Oliveira Salazar não foi escolhido para integrar a lista inicial do programa da RTP, «Os Grandes Portugueses». O ditador que à partida ficou de fora acabou por ser o grande vencedor com 41 por cento dos votos. A vitória, ainda que não «represente a realidade», está a gerar polémica. Orgulho para uns, vergonha para outros, Salazar volta a dar que falar.

O homem, apelidado de génio das finanças, é visto como o líder capaz de endireitar a economia do país e como o seu «salvador». O homem «simples» e «bom» faz suspirar, nos dias que correm, muitos portugueses. Talvez demais, dirão aqueles que vêm a vitória de Salazar como uma ameaça à democracia. A ausência de liberdade, a polícia política e a censura são outras marcas deixadas pelo homem «mau» e «frio».

O que diz a vitória de Salazar dos portugueses de hoje? Para Pedro Magalhães, politólogo, investigador na Universidade de Lisboa, o programa «Grandes Portugueses» teve «interesse e foi positivo na medida em que permitiu debate e discussão». Mas não podemos ver para além disso.

«A amostra é voluntária. Não sabemos que tipo de participantes quiseram votar. Os resultados não são representativos», disse em declarações ao PortugalDiário. A vitória de Salazar será apenas o resultado de um grupo de votantes «que se sentiu mais envolvido» no concurso ou que teve «mais capacidade de mobilização».

Sem certezas sobre quem é António Oliveira para a maioria dos portugueses, há pelos menos que ouvir quem tem certezas sobre o papel de Salazar na História de Portugal.

A praça pública tem dado espaço para discutir esta matéria, quase sempre pela voz dos partidos com assento parlamentar. Para além da opinião dos leitores, recolhemos a opinião de dois extremos: o Partido Nacional Renovador por um lado; a União de Resistentes Anti-Fascistas Portuguesa, por outro.