O coordenador para a covid-19 na região de Lisboa, e também secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares Duarte Cordeiro, não foi tão taxativo quanto o Presidente da República a afirmar que Portugal não voltará ao estado de emergência, mas assumiu, esta noite, na TVI24, que será "difícil" recuar tanto.

Para Duarte Cordeiro, não é preciso recorrer ao estado de emergência para implementar medidas restritivas, como aquelas que foram agora impostas ao concelho de Lisboa, obrigado a recuar no confinamento devido ao elevado número de casos de covid-19. 

Acho difícil [voltar ao estado de emergência], tendo em conta a circunstância em que estamos no plano de vacinação, tendo em conta as expectativas que temos para cumprir até ao final de julho em termos de plano de vacinação, que o cenário, que é um cenário extremo, se coloque em cima da mesa. Reduzir os horários do comércio e da restauração ao fim de semana num concelho como Lisboa é uma medida com muita violência. Não precisamos de ir ao estado de emergência para implementar medidas duras como as que estamos a implementar nesta fase", defendeu.

O responsável argumentou, ainda, que o país ainda não ultrapassou nenhuma das linhas vermelhas definidas pelo Governo.

Olhando para o número de casos que temos, para o número de internados, para o número de pessoas em cuidados intensivos... nós procurámos definir linhas vermelhas e se olharmos para as linhas vermelhas de uma forma muito crua ainda não ultrapassámos nenhuma linha vermelha. Nós não temos inquéritos em atraso, não temos uma linha vermelha nos cuidados intensivos. No entanto, o que nos deve preocupar é atuar cedo, é olhar para a taxa de crescimento do número de casos, perceber os impactos e não esperar que isto seja uma situação de maior gravidade para atuar", observou.

Sobre o facto de a região de Lisboa ser há várias semanas a mais afetada pela pandemia, com dois terços dos novos casos, Duarte Cordeiro disse que estes números "não se explicam com os festejos do Sporting com ou a final da Champions".

Nós temos tendência a querer simplificar tudo com momentos que projetam uma determinada imagem (...) Nós temos uma relação social-económica com o Reino Unido que pode, eventualmente, explicar o facto de termos a variante Delta na região de Lisboa como dominante", apontou, acrescentando, ainda, a "maior mobilidade" em Lisboa com paíse que tenham esta variante.

Quanto às palavras de Ferro Rodrigues, que disse esperar que os portugueses se desloquem de forma massiva a Sevilha para apoiar a Seleção Nacional, Duarte Cordeiro preferiu não comentar as declarações do presidente da Assembleia da República, considerando que "deverá ser ele a fazer esclarecimentos se assim entender".

Catarina Machado