O PSD acusou esta terça-feira o ministro da Educação de estar em “confinamento” desde que assumiu funções e de “irresponsabilidade política” por “continuar a culpar o governo anterior pelo mau desempenho do atual”.

Tem sido um ministro ausente, fugidio, que aparece a público com intermitências para fazer mais uns quantos anúncios, umas quantas promessas, para desfiar uma narrativa oca, sem rumo e sem estratégia”, criticou o vice-presidente da bancada Luís Leite Ramos, no arranque do debate de urgência sobre educação, requerido pelo PSD.

Na sua intervenção, elencou um conjunto de respostas a que Tiago Brandão Rodrigues não respondeu sobre o primeiro período escolar, como informação atualizada sobre o número de escolas fechadas, turmas confinadas ou casos confirmados de covid-19, bem como dados sobre quantos computadores foram entregues aos alunos.

Leite Ramos referiu-se igualmente ao recente estudo internacional, o TIMSS 2019, que o PSD diz confirmarem uma regressão dos alunos portugueses.

Mais lamentável é o facto de não o reconhecerem, de insistirem no passa-culpas permanente para o passado. Ao fim de cinco anos de governação continuarem a culpar o governo anterior pelo vosso mau desempenho já não se trata de desonestidade intelectual, é um caso agudo de irresponsabilidade política”, acusou.

Ministro da Educação deixa “bravos” às escolas, professores e alunos, mas não responde à oposição

O ministro da Educação deixou esta terça-feira “bravos” às escolas, professores, pessoal não docente, alunos e famílias pela forma como decorreu o primeiro período de ensino presencial em tempos de pandemia, mas não respondeu a qualquer pergunta da oposição.

No final do debate parlamentar de urgência pedido pelo PSD sobre educação, Tiago Brandão Rodrigues gastou os seis minutos disponíveis para fazer um cerrado ataque aos sociais-democratas, quer em matéria de educação quer, até, acusando-os de “patrocinar” o partido Chega.

O PSD traz-nos aqui o que aconteceu entre 2011 e 2015 [período de Governo PSD/CDS-PP], um tempo de querubins e de querubinas, um tempo de serafins e de serafinas. E agora só Lucíferes, Belzebus, entre os cornudos que existem por aqui a trabalhar a educação”, ironizou.

O ministro disse não compreender a urgência do PSD neste debate, “por não ver essa ansiedade no país”, e disse ter respondido “a mais de mil perguntas” das 1.252 perguntas que recebeu do parlamento.

É da mais elementar justiça, o ministro da Educação vir dizer bravo às escolas, bravo aos diretores, bravo aos docentes, bravo aos não docentes, bravo aos alunos e bravo também suas famílias, que mesmo num tempo tão difícil conseguiram erguer em cada escola um espaço de segurança e de confiança”, saudou.

Para Tiago Brandão Rodrigues, a motivação do PSD ao convocar este debate “não foi certamente discutir a educação”, mas “surfar um conjunto de descontentamentos e dificuldades que sempre existem e existirão”

/ HCL