O ministro da Administração Interna reconheceu, esta quarta-feira, no Parlamento, que existem lições a retirar sobre os festejes do final da Taça de Portugal e da Liga dos Campeões, sem deixar de referir as "mentiras" de que o Governo foi alvo.

Temos sempre a aprender com aquilo que são as respostas a estes grandes desafios, mas queria aqui manifestar o reconhecimento do Governo pela capacidade operacional, mesmo quando são objeto de insidiosas mentiras, como foi a propalada instrução para uma não intervenção no Porto por parte de uma das unidades da Polícia de Segurança Pública (PSP)".  

Eduardo Cabrita disse que é pela capacidade de resposta das forças de segurança que Portugal continua nos corredores verdes do turismo e com os números da covid-19 controlados.

As forças de segurança forma decisivas para que do mês de janeiro, o mês mais difícil de mais de um ano de pandemia, Portugal passasse desde março a ser o país com melhores resultados a nível de toda a União Europeia a nível da incidência" 

“Claro que me preocupa quando há grandes ajuntamentos"

Em resposta ao deputado do PSD Carlos Peixoto, o ministro disse que a resposta da PSP foi adequada em qualquer um dos dois eventos e garantiu que em momento algum deu indicações técnico-operacionais.

O organizador foi o mesmo, foi a Federação Portuguesa de Futebol. A Polícia de Segurança Pública adotou, quer num caso quer noutro, resposta adequada e é uma infâmia estar a ser porta-voz da mentira de que o ministro dá indicações sobre como é que esta ou aquela unidade deve interferir.”

Cabrita admitiu que fica preocupado com todo e qualquer tipo de ajuntamentos e acusou o PSD de "falta de respeito" para com as forças de segurança e o país.

Claro que me preocupa quando há grandes ajuntamentos, não são bons, quaisquer que eles sejam. No Bairro Alto, em Albufeira ou no Porto, não são bom exemplo de saúde pública. As forças de segurança lá estão para dar a resposta adequada e contribuir para a solução.”

Por sua vez, o deputado do PS José Magalhães acusou o PSD de se ter convertido “ao estilo de gritaria” e questionou os deputados social-democratas sobre o que fariam com os adeptos ingleses que estiveram no Porto.

Repetia o episódio dos secos e molhados, a cena do bloqueio da ponte 25 de Abril ou proibia a entrada em Portugal dos adeptos”, questionou.

Na sua intervenção inicial, o ministro destacou os dados alcançados em Portugal ao nível da criminalidade, segurança rodoviária e incêndios, bem como os números de óbitos por covid-19 no mês de maio, em que não se registou qualquer vítima mortal em sete dias.

O ministro da Administração Interna foi ouvido esta quarta-feira, no Parlamento, no âmbito da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. 

Cláudia Évora / Notícia atualizada às 13:36