O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, afirmou, numa entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, que se os polícias compram equipamento do seu bolso "é porque querem" e "não têm necessidade nenhuma de o fazer"

Compram porque o querem e não têm nenhuma necessidade de o fazer. É preciso dizê-lo com toda a transparência. Há matérias que são diferentes, que são fardamento, em que há um subsídio. Mas o que é considerado como necessário pelos comandos é aquilo que é atribuído”, respondeu.

Eduardo Cabrita foi questionado sobre as notícias que dão conta de que os agentes policiais “compram equipamento de proteção do seu próprio bolso” e sobre as falhas de material.

Não posso nunca garantir isso. Nunca poderemos garantir que não haja aqui uma falha de material (...) Pelo contrário, eu digo que houve uma degradação, e o considerar que a segurança interna é uma prioridade política pública faz parte, dentro de uma visão responsável, de uma governação à esquerda".

A entrevista foi publicada dois dias antes dos protestos mensais da PSP e GNR com arranque marcado para terça-feira.

PSD acusa MAI de “desfaçatez, desconhecimento e falta de respeito” para com polícias

O grupo parlamentar do PSD repudiou este domingo as declarações do ministro da Administração Interna, acusando Eduardo Cabrita de “desfaçatez, falta de respeito e desconhecimento”.

Em nota enviada à Lusa, o grupo parlamentar do PSD “repudia” estas declarações, considerando que “revelam desfaçatez, falta de respeito pelas forças de segurança e um desconhecimento atroz da realidade que estas forças enfrentam”.

Dizer que os polícias só compram material porque querem é troçar de quem lida no dia a dia com esta evidência, é negar a falta de equipamentos suficientes e de qualidade, e é uma tentativa despudorada de manipulação da opinião pública”, criticam os sociais-democratas, acusando Eduardo Cabrita de revelar “falta de sentido de Estado e de responsabilidade que o cargo que ocupa exigem”.

Na nota, o grupo parlamentar do PSD considera que o recente debate na especialidade do Orçamento do Estado com o ministro da Administração Interna confirmou “a necessidade de garantir meios, equipamentos e pessoal nas forças de segurança”.

As lamentáveis declarações de hoje do MAI desmentem as declarações das forças de segurança e são atentatórias do decoro e do sentido de verdade com que deve exercer o seu cargo”, refere.

No debate no parlamento, na quarta-feira, o ministro da Administração Interna anunciou o recrutamento de cerca de 10 mil elementos para as forças e serviços de segurança até 2023 no âmbito do plano plurianual da admissão.

O governante precisou que estas admissões serão feitas “em função das saídas previstas” e “das alterações do modelo operacional”, destacando que as polícias vão ter “programado atempadamente aquilo que são as necessidades de contratação”.