A atuação do ministro da Administração Interna foi esta terça-feira novamente alvo de críticas por parte dos partidos da oposição, tendo o PSD sugerido a demissão de Eduardo Cabrita.

Os partidos da oposição aproveitaram a presença de Eduardo Cabrita no parlamento para discutir os relatórios dos últimos dois períodos do estado de emergência, entre 01 a 15 de abril e 16 a 30 de abril, para apontarem falhas à sua governação, nomeadamente nos casos dos trabalhadores migrantes agrícolas em Odemira e no ajuntamento de milhares de pessoas na semana passada em Lisboa para festejar o titulo do Sporting campeão nacional de futebol.

O deputado do PSD António Lima Costa criticou o ministro da Administração Interna por falta de atuação atempada na situação dos migrantes de Odemira e na organização dos festejos do Sporting, sustentando que Eduardo Cabrita “não preveniu, não antecipou e nem reagiu” nestas duas situações.

O deputado social-democrata destacou o “aspeto positivo na vacinação” que melhorou com a demissão de Francisco Ramos da liderança da ‘task force’, pedindo ao ministro para olhar “para este exemplo de bom senso”.

Também a deputada do PAN Bebiana Cunha criticou Eduardo Cabrita por não ter planeado os festejos do Sporting e por ter ignorado os pareceres da PSP.

“Falta de respeito por quem está no terreno a atuar”, disse a deputada do PAN, acusando o ministro de “teimosia”.

O deputado do CDS-PP Pedro Morais Soares apontou também falhas à organização dos festejos do Sporting, acusando o ministro da Administração Interna de não ter planeado “as recomendações das forças de segurança e colocado em causa a saúde pública”.

“O ministro está à deriva e naufragou no oceano da credibilidade pública”, precisou Pedro Morais Soares.

Por sua vez, o deputado do PCP João Oliveira pediu ao Governo “medidas concretas e objetivas” para que o confinamento não se volte a repetir.

Para João Oliveira, é fundamental a testagem, rastreio de contactos e aceleração na vacinação contra a covid-19 para que Portugal não volte ao estado de emergência.

Já Moisés Ferreira, do Bloco de Esquerda, lamentou que o relatório do estado de emergência fale pouco sobre a situação de “gravidade extrema” em Odemira com os trabalhadores agrícolas, sublinhando que o Governo sabia da situação destes imigrantes, dos casos de exploração e da existência da rede de tráfico de seres humanos.

O deputado exigiu que o Governo explique o que fez para prevenir este surto, “em vez de ter uma tática de toca e foge”.

O deputado André Ventura, do Chega, também apontou falhas ao Governo na questão de Odemira e criticou os relatórios do estado de emergência, considerando que são “fantasia e propaganda”.

A deputada do PEV Mariana Silva lamentou que os relatórios do estado de emergência não “olhem mais para a realidade”, como o desemprego, abusos no trabalho, realidade das pequenas empresas, acesso aos cuidados de saúde e dos transportes públicos que faltaram durante este período,

“A opção do Governo foi elaborar um texto de elogios às ações de Governo”, disse.

Já a deputada do PS Susana Amador preferiu destacar que a governação socialista “não falhou” durante este período, nomeadamente no Serviço Nacional de Saúde, na escola pública, na segurança social e nos apoios laborais.

/ RL