Catarina Martins considera que a proposta do Governo socialista sobre a vinculação dos professores é uma "operação de cosmética", que "insulta os professores e as professoras". No debate quinzenal, esta quarta-feira, a porta-voz do Bloco de Esquerda questionou o primeiro-ministro sobre este assunto.

"O apelo que faço é que seja revisto e que este Governo faça o que precisa de ser feito. Os professores têm de ser vinculados. Todos os que cumprem necessidades permanentes, todos os que têm contratos a prazo e já deviam estar vinculados e não nenhuma operação de cosmética que só insulta os professores e professoras."

O Governo só quer vincular os professores com mais de 20 anos de serviço e horário completo. Mas a deputada bloquista lembrou que há "professores contratados há décadas" sem vinculação e que ficam de fora da proposta do Executivo. "E quem tem contratos há 19 anos, há 15, há 10, há 5?", questionou.

"Há neste pais mais de 20.000 professores contratados. Há mais de 10 anos são mais de 7.000, se vincularmos só os que têm mais de 20 anos e horário completo são menos de 400. Não é aceitável", frisou.

Na resposta, o primeiro-ministro disse que o Governo aguarda a resposta dos sindicatos e que mantém as negociações com espírito aberto.

"Há uma proposta negocial que está apresentada. Vamos aguardar a resposta dos sindicatos vamos negociar com o espírito aberto e assegurar a cobertura das necessidades permanentes, a assegurar a estabilidade para todos os profissionais que tenham de assegurar essas necessidades e pôr termo a esta situação de incerteza absoluta", respondeu António Costa.

O chefe do Governo sublinhou que concorda que é necessário dar estabilidade aos professores. "Partilho consigo a necessidade de termos um corpo docente estável, estabilidade na sua relação de trabalho e estabilidade na sua relação com a escola", vincou.

Depois de terem sido divulgados os resultados do PISA, nos quais Portugal conseguiu, pela primeira vez, resultados superiores à média da OCDE, a educação foi outro dos temas que esteve em destaque num debate quinzenal dominado pela Caixa Geral de Depósitos

A líder do CDS, Assunção Cristas, associou os bons resultados dos testes à "estabilidade" no setor durante o Governo de direita. A deputada centrista acusou o Executivo socialista de ter quebrado essa estabilidade quando começou a "mudar tudo a meio do ano". E deixou a farpa ao primeiro-ministro: "Quando a Fenprof manda, os resultados baixam".