O CDS-PP acusou hoje o Governo de “trocar a ordem das coisas” e “estabelecer o facilitismo” ao “decretar” um plano para o fim das retenções no ensino básico.

A questão está posta ao contrário. O que importa em educação é que os alunos aprendam. A missão da escola cumpre-se, não quando um aluno transita de ano, mas quando efetivamente aprende”, defendeu a deputada Ana Rita Bessa, numa declaração política na Assembleia da República.

Para o CDS-PP, “trocar a ordem das coisas é estabelecer o facilitismo, que pode fazer maravilhas pelas estatísticas, mas é enganador e penalizador” na vida dos alunos.

Ana Rita Bessa negou que o partido seja um “feroz defensor” das retenções, considerando-as como “um instrumento de fim de linha” e com um “efeito dissuasor”, e defendeu que cada escola tenha autonomia para decidir como atuar.

Porque não confiam nas escolas para prosseguir o seu trabalho?”, questionou a deputada, ironizando que “a passagem administrativa” do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, do anterior para o atual Governo “é o único caso conhecido em que em que alguém beneficiou”.

Na resposta, o deputado do PS Porfírio Silva lamentou que o CDS não tenha referido que, em 2018, a taxa de abandono escolar em Portugal nunca foi tão baixa e acusou democratas-cristãos e sociais-democratas de “padecerem de uma cultura de retenção”, dizendo citar o atual ‘vice’ do PSD David Justino quando este era presidente do Conselho Nacional de Educação.

Com um reforço enorme em meios nas escolas, e sem precariedade, tem alguma explicação para em algumas escolas haver recorrentemente um foco na falta de profissionais e noutras isso não acontecer?”, questionou.

Pelo PSD, a deputada Maria Germana Rocha apontou que se vive uma situação de “caos” no setor da educação.

Todos os dias há greves e protestos, estamos em novembro e cada dia que passa há mais escolas a encerrar”, apontou, responsabilizando o Governo PS por em “quatro orçamentos aprovados pela geringonça” ter agravado o problema da falta de meios nas escolas.

A deputada do PCP Ana Mesquita salientou que o problema da precariedade dos trabalhadores das escolas “vem de longe” e acusou o Governo PSD/CDS-PP de ter “mandado para a rua” 15.500 funcionários deste setor e cortado em mais de 20% o seu financiamento.

É preciso mais investimento e mais respeito por quem trabalha na escola publica”, defendeu.

Alexandra Vieira, pelo Bloco de Esquerda, considerou que existe em Portugal “uma cultura de retenção” e considerou que “nada evidencia que pelo facto de um aluno ser retido as suas aprendizagens irão melhorar”.

Pelo PAN, a deputada Bebiana Cunha concordou que existem determinados conteúdos que “não estão de acordo com o desenvolvimento cognitivo e mental” das crianças” e que “o insucesso causa ‘stress’”, que pode “bloquear a capacidade de raciocínio”.