O Partido Socialista foi o vencedor das Eleições Autárquicas que se realizaram este domingo. Cerca das 4:30 desta segunda-feira, o partido tinha conquistado mais câmaras, com 123 maiorias absolutas, mais Juntas de Freguesia e cerca de 34% dos votos dos portugueses.

Mas o PSD de Rui Rio também não saiu a perder: a nível nacional, os sociais democratas ficaram atrás, com cerca de 27% dos votos, mas venceram câmaras importantes ao PS, como Lisboa, Coimbra e Funchal.

PS perde "jóia da coroa" para o PSD, mas foi o que conquistou mais câmaras 

Há quatro anos, em 2017, o PS conquistou um total de 159 câmaras, das quais 142 com maioria absoluta. Desta vez, o Partido Socialista conquistou 147, com 123 maiorias absolutas.

Qualquer vitória engrandece o PS, qualquer derrota penaliza", afirmou António Costa, sublinhando que o partido teve "derrotas inesperadas e vitórias que não contávamos"

Entre as autarquias perdidas este domingo está a "jóia da coroa" dos socialistas: a Câmara Municipal de Lisboa, arrebatada por Carlos Moedas. Mas não foi a única grande perda: autarquias como Coimbra e Funchal deixaram de ser comandadas pelos socialistas.

No sentido inverso, o PS conseguiu conquistar câmaras como Loures à CDU e Vila Real de Santo António ao PSD.

PSD perde, mas Rui Rio sai com a confiança reforçada

Contas feitas, ainda que o PS tenha ganho mais câmaras e tenha obtido uma maior percentagem nacional, os sociais-democratas ganharam 13 câmaras em relação a 2017, das quais se destacam claramente Lisboa e Coimbra, cidades que valeram uma pequena vitória de Rui Rio no geral das eleições.

O presidente do PSD defendeu que o partido cumpriu todos os objetivos traçados - mais votos, mais eleitos e encurtar a diferença para o PS - “contra sondagens e comentadores”.

O PSD teve um excelente resultado nestas eleições”, afirmou Rio.

CDU perde sete câmaras, mas recupera uma de 2017

Depois de há quatro anos ter registado o pior resultado de sempre em autárquicas (os comunistas perderam 10 autarquias), os resultados deste ano ficaram aquém.

 A CDU chocou novamente com o PS, que conquistou mais seis municípios à coligação, entre eles três bastiões, mas foi Loures, uma das principais apostas e aparentemente mais segura, a surpresa da noite eleitoral.

Os comunistas avançaram para esta corrida autárquica com um total de 24 autarquias e saíram com 18. De destacar a perda da autarquia de Loures para o Partido Socialista e a reconquista falhada de Almada. 

Os resultados ainda não são finais, mas às 03:45 e com 21 freguesias por apurar em todo o país, a CDU contabilizava 8,17% dos votos, ou seja, 395.846 votos e o pior resultado em percentagem e em número de votos, abaixo de 2017 (9,45%, ou seja, 489.089 votos). É também a segunda vez que a coligação obtém menos de 500.000 votos em eleições autárquicas.

Não estou satisfeito com o resultado, não estou. Temos muito que avaliar, refletir, mas sempre com um sentido de que é preciso reforçar a CDU, como vamos fazer, refletindo sobre o que fizemos de menos bem”, considerou Jerónimo de Sousa.

CDS autoproclamou-se vencedor... das coligações

Francisco Rodrigues dos Santos admitiu este domingo que o CDS-PP se "debateu com um cenário particularmente difícil" nestas eleições autárquicas, mas que "superou todos os objetivos a que propôs",  nomeadamente manter a presidência das seis autarquias já governadas autonomamente.

Ainda assim, partido cantou vitória nas eleições de Carlos Moedas em Lisboa e Rui Moreira no Porto, candidaturas apoiadas pelo seu partido.

Chega falha objetivo de ficar em terceiro 

André Ventura admitiu que a “vitória não foi total” nas autárquicas de domingo, ao falhar o objetivo de ser a terceira força política e a presidência de Moura , mas defendeu que se “fez história” em Portugal, recusando acordos de governação.

O Chega elegeu 19 vereadores em concelhos como Vila Verde, Mangualde, Santarém, Salvaterra de Magos, Azambuja, Benavente, Entroncamento, Vila Franca de Xira, Odivelas, Sintra, Loures, Cascais, Seixal, Moita, Sesimbra, Serpa, Moura (onde Ventura obteve mais de 25% dos votos para a assembleia municipal, embora falhando a presidência), Loulé e Portimão.

Para André Ventura, esta noite eleitoral é um marco: “O que fizemos hoje foi histórico. A partir de amanhã os nossos adversários sabem uma coisa, sabem que enfrentarem-nos é enfrentar um enorme bloco de cimento, uma força gigantesca implementada na grande maioria das autarquias e Portugal”, afirmou.

Rafaela Laja / com António Guimarães, Catarina Pereira, Cláudia Évora e Henrique Magalhães