O cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, afirmou, esta quarta-feira, que a sua chamada à comissão de inquérito parlamentar sobre o Novo Banco se deve ao facto de ser candidato ao município da capital.

Eu tenho sempre imenso gosto em ir ao parlamento e irei com imenso gosto. Agora só percebo esta chamada porque eu sou candidato à presidência da Câmara [de Lisboa]. Não acho que seja normal, pois eu já respondi às perguntas sobre este tema”, afirmou o ex-comissário europeu.

Carlos Moedas, que falava esta tarde aos jornalistas em Lisboa na apresentação do diretor da sua campanha e inauguração do primeiro ‘outdoor’, manifestou desta forma a sua incompreensão pela decisão do coordenador do PS na comissão de inquérito do Novo Banco o querer ouvir novamente.

Não tenho absolutamente nada de novo. Só há um facto político de me chamarem para recordar uma situação da qual sou totalmente alheio. Tentar denegrir e insinuar”, apontou.

O PS requereu há uma semana os depoimentos por escrito do ex-Presidente Cavaco Silva, dos antigos primeiros-ministros Durão Barroso e Passos Coelho e a audição presencial do ex-comissário europeu Carlos Moedas na comissão de inquérito do Novo Banco.

O anúncio foi feito no parlamento pelo coordenador do PS na comissão de inquérito, João Paulo Correia, um dia depois da audição de José Honório, ex-administrador do BES e Novo Banco, que segundo o socialista revelou que o antigo presidente do BES Ricardo Salgado entregou, em 2014, um memorando a cada uma das autoridades políticas em que dava conta do “buraco gigante em que estava enfiado o GES”.

Esta quarta-feira, aos jornalistas, o candidato da coligação PSD/CDS-PP anunciou que o médico de Saúde Pública e epidemiologista Ricardo Mexia vai ser o diretor da sua campanha, justificando a escolha por se tratar de alguém “independente” e com um “percurso fora da política”.

A minha maneira de olhar para a política é diferente. Tem aquelas pessoas que são da política, mas são também aqueles que querem vir de fora e que querem mudar a maneira de fazer política. E eu disse sempre que esta campanha seria diferente”, afirmou.

Ricardo Mexia é desde 2016 Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública e integra o Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

O executivo da Câmara de Lisboa, presidido por Fernando Medina, é atualmente composto por oito eleitos pelo PS (nos quais se incluem os Cidadãos por Lisboa), um do BE (que tem um acordo de governação do concelho com os socialistas), quatro do CDS-PP, dois do PSD e dois da CDU.

Segundo a lei, as eleições autárquicas decorrem entre setembro e outubro.

/ NM